15 funcionalidades que o iPhone não tinha aquando do seu surgimento

2007 já parece uma eternidade. Mas o impacto do lançamento do iPhone reverbera até hoje. Conhece aqui algumas evoluções.

Como já aqui escrevemos, celebrou-se recentemente o 15.º aniversário do lançamento do primeiro iPhone. Direi que "revolução" é uma palavra redutora para descrever o impacto deste dia 9 de Janeiro de 2007. Sociologicamente falando, assistimos a uma mudança de paradigma.

A Apple definiu os novos padrões de design, funcionamento e interação de um telefone na vida quotidiana em sociedade, arrastando consigo milhares de empresas, developers, fabricantes e comercializadores de bens e de serviços para um novo nicho multimilionário.

Se a Internet foi uma revolução, o lançamento do iPhone em nada ficou atrás. A prova? Já ninguém se lembra, ou pelo menos não se quer lembrar, do que era a vida antes do iPhone e da concorrência com produtos semelhantes que dele emergiram. Quando já praticamente ninguém consegue viver sem um smartphone, mesmo até porque as próprias instituições governamentais, públicas e privadas o utilizam enquanto meio de identificação, pagamento, validação (exemplo: certificado de vacinação, bilhete de avião ou espetáculo ao vivo), etc., então está tudo dito.

E quinze anos volvidos, vamos-te apresentar aqui o que o iPhone não tinha na altura em que foi lançado. Interessante é sentir que ausência destes próximos 15 pontos é hoje inimaginável. Mas na altura o topo do topo da tecnologia assoberba-nos quando comparando com telefones monocromáticos que, no limite, conseguiam enviar SMS's e MMS's.

App Store

Fonte: Wikimedia Commons
Fonte: Wikimedia Commons

Na época, o iPhone tinha, como aliás tem hoje, apps pré-instaladas, designadamente "Telefone", "Tempo", "Notas", "Calendário", "Fotos" e a "Calculadora". Não havia muito mais que se pudesse instalar oficialmente de modo nativo até Julho de 2008, altura em que a App Store foi lançada, tal como disse acima, criando muitas oportunidades de negócio para developers. Mas ainda assim, de modo muito incipente. Veja-se no monstro colossal em que se tornou.

Copiar e colar

Fonte: Tap Smart
Fonte: Tap Smart

Para quem não sabe, o inventor do "Copy-Paste" foi Larry Tesler, falecido há menos de um ano. Esta sempre uma funcionalidade dada como básica desde os tempos dos velhinhos PC dos anos 80 e 90. Estranho é saber que só a partir de 2009 é que o iPhone passou a gozar desta funcionalidade. Extraordinário é fazer "Copiar" no iPhone e "Colar" num Mac ou num iPad!

Câmara frontal

Fonte: GSM Arena
Fonte: GSM Arena

Eu disse novo paradigma? É verdade. Ao ponto de se ter cunhado uma nova expressão universal: "Selfie". Certo é que já exista esta prática desde tempos imemoriais com as máquinas convencionais de rolo. Mas, a partir de 2010, a introdução da câmara frotal no iPhone 4 constituiu mais um game-changer nas práticas do dia-a-dia. Para além de tirar as tais ditas selfies com total controlo do que está a focar, as videochamadas através de FaceTime passaram também a assumir um papel preponderante. Lembrar ainda que, por exemplo, em tempos de pandemia, a explosão de Live Streamings nas redes sociais não seria nem de perto nem de longe tão eficiente se não existissem as câmaras frontais. Depois com os bastões para selfie ou os suportes com LED para os streaming demonstram também o crescimento tentacular de empresas e negócios decorrentes da simples inclusão de mais uma câmara na parte da frente do telefone.

Gravação de vídeo

Fonte: Sofpedia News
Fonte: Sofpedia News

Já ter uma máquina fotográfica no telefone foi uma fusão extraordinária. Mas logo em 2007 a pergunta surgia: se isto fotografa como uma câmara, porque é não grava como uma? E pronto, chegado o ano de 2009, a Apple, como era óbvio, permitiu a gravação de vídeo com o lançamento do iPhone 3GS.

Lanterna

Fonte: infoacetech.net
Fonte: infoacetech.net

Assim que foi introduzido o LED para servir de flash no iPhone (não no primeiro, claro está), foram várias as apps pagas a surgir na App Store, simplesmente para o ligar em permanência. E voilá! Uma lanterna. Qual canivete suíço. Hoje em dia esta funcionalidade é absolutamente nativa, estando o botão disponível em vários ecrãs do iPhone que, como sabemos, permite regular a intensidade de luz da lanterna.

Photo Messaging (MMS)

Fonte: MacMagazine
Fonte: MacMagazine

Em certos Nokia as MMS eram possíveis, e eram muito dispendiosas. A sua exequibilidade estava também dependente do operador de comunicação contratado. As primeiras incursões no envio de fotografias através de mensagens ocorreram aquando do lançamento do iPhone OS 3.0 em 2009, e apenas para o iPhone 3G e 3GS . Até parece estranho...

GPS

Fonte: MacMagazine
Fonte: MacMagazine

O Google Maps até podia estar incluído na instalação inicial do primeiro iPhone, mas quem quisesse andar de carro ou a pé com orientação assistida, tinha mesmo que adquirir um caríssimo GPS. E mais uma vez, qual canivete suíço! Passo um curto ano do seu lançamento, em 2008, a Apple incluiu o GPS no iPhone 3GS. Claro está que muito caminho havia a desbravar, mas o arranque foi muito rápido.

Papeis de parede para o ecrã

Fonte: Johnsphones
Fonte: Johnsphones

Habituados a mudar o papel de parede nos PCs e nos MAC desde tempos, também eles hoje imemoriais, tal funcionalidade só se tornou possível a partir do iOS 4 lançado em 2010, deixando para trás o impedimento de personalização até então existente nos iPhone.

"Scanner"

Fonte: 9to5Mac
Fonte: 9to5Mac

Podíamos tirar todas as fotografias de livros, jornais ou outras publicações. Mas há pouco tempo, nas notas, existe uma pequena opção escondida que torna o iPhone num espetacular scanner, criando o PDF automaticamente e, melhor ainda, com reconhecimento de texto. Melhor que isto, só se nos lesse os conteúdos e injetasse o conhecimento no nosso cérebro.

Siri

Fonte: TecnoBlog
Fonte: TecnoBlog

Sim, a nossa amiga Siri já tem uma década. Porque a Internet e os planos de dados o permitem. De qualquer modo, ela começou a preencher as nossas vidas com a introdução do iPhone 4S, sendo cada vez mais uma presença indispensável à medida que a vão apurando e melhorando a partir de Cupertino.

Touch ID ou Face ID

Fonte: MacRumors
Fonte: MacRumors

Autenticação biométrica. Para uns uma facilidade. Para outros uma invasão de privadidade. Nos Estados Unidos,  apenas se podem recolher as impressões digitais em contexto de captura e aprosionamento de um cidadão que seja suspeito ou que tenha cometido um crime.

Certo é que a base de dados da Apple terá muitas mais do que as que se encontram nos registos da polícia. Caso contrário, haveria muitos criminosos. Mais ainda do que os que os EUA já têm. Com a agravante: para além disso, também já possuem dados extremamente detalhados dos nossos olhos e cara. E pior ainda: de todos os clientes Apple do mundo inteiro!

Bom... já se tornou hábito, mesmo até porque toda a concorrência já faz o mesmo nos telefones, tablets e computadores. O Touch ID surgiu em 2013 com o iPhone 5s, e o Face ID com o iPhone X em 2017.

Porta Lightning

Fonte: Tech Radar
Fonte: Tech Radar

Aqueles incómodos cabos com uma ponta de 30 pinos dos primeiros iPhone e iPods. A excelente ideia (mais uma) de criar um cabo que se pode conectar seja em que posição for, mais pequeno e capaz de transmitir os dados para o computador mais rapidamente, foi concretizada aquando do lançamento do iPhone 5 em 2012.

Retina Display

Fonte: Big Medium
Fonte: Big Medium

Surgiu em 2010 no iPhone 4. Mais um game-changer. De repente, o que já parecia bem passou a parecer infinitamente melhor. Com o quádruplo dos píxeis do iPhone original, é quase como hoje comparar-se uma televisão 8K com uma simples HD.

Carregamento Wireless

Fonte: Power Planet Online
Fonte: Power Planet Online

Muito desejado, mas sempre atrasado. Lá surgiu em 2017 com o iPhone 8. Muitos afirmam que a ausência de porta de carregamento está a pouquíssimas versões dos iPhone. Veremos para quando e se será tão eficiente como o carregamento por cabo. Mas que fica muito bem na secretária a carregar, lá isso fica. O problema é quando temos que atender o telefone. Sim. O MagSafe fica colado, mas ainda assim, um cabo é sempre um cabo. Chamem-me Old School...

Resistência à água

Fonte: CNET
Fonte: CNET

Lembro-me distintamente quando deixei caír o meu iPhone 3G numa poça de água. Entrei em pânico, corri para casa, abri um pacote de arroz, e deixei-o lá ficar durante um dia. Aproximado-se o momento de o ligar, tremi. Se o perdesse seria uma tragédia. Afinal tudo correu bem. Curiosamente, ainda hoje, quando vejo os testes de submersão de um iPhone num copo com água, possível graças à sua resistência certirficada IP68, ainda assim não me sinto tentado a faze-lo-

Quinze anos depois

Uma inovação por cada ano. Mas listar toda a evolução do iPhone demoraria quase isso... não exageremos. O facto é que a Apple, por muito que nos tenha vindo a desiludir com legeiras alterações ao longo dos últimos anos, só o faz porque nos habituou mal.

Habituou-nos à espectacularidade. Ao constante wow-factor a cada lançamento. E, claro, com a normalização dos smartphones, toda uma concorrência cada vez maior e melhor, torna-se cada vez mais complicado revolucionar a cada lançamento. Ainda assim... ainda assim é preciso fazer zoom out. Sair do conjuntural e observar o estrutural. E que mudanças. Que gigantescas mudanças numa quinzena de anos.