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# Afinal os AirPods causam danos no cérebro ou cancro?
- URL: https://www.ifeed.pt/danos-no-teu-cerebro-ou-cancro-causados-pelos-airpods/
- Published: 2025-04-23T11:00:58.000Z
- Updated: 2025-11-29T19:14:08.000Z
- Description: Circulam por aí uns rumores a espalhar a ideia de que os AirPods te vão fritar o cérebro ou causar cancro. Será que é verdade?
- Author: Gonçalo Oliveira
- Tags: Curiosidades

O mundo em que vivemos está cada vez mais confortável graças aos extraordinários avanços decorrentes da evolução tecnológica. Em apenas algumas décadas, as mais simples ações do nosso quotidiano atalharam procedimentos e assentam na ideia de que os objetos que necessitamos para as executar, ou já não existem ou são "invisíveis".

Para quê digitar um código PIN quando temos cartões *Contactless*. Melhor ainda: para quê sequer ter um cartão quando a Wallet e o Apple Pay podem fazer o mesmo com o iPhone ou com o Apple Watch? Atalhar procedimentos é mesmo isso. Ter um cartão, a carteira para o guardar, retirá-lo da carteira para pagar, código PIN, guardar... ufa... já estou cansado. O cartão "invisível" é tão mais agradável. Não se perde e é seguro. A desmaterialização em pleno curso.

Então e a tonelada de fios que precisamos para ligar tudo e mais alguma coisa? Tudo emaranhado, só transformadores. Para cada aparelho é um diferente por entre extensões de tomadas. Antigamente era comum ir comprar uma extensão tripla. Hoje, oito tomadas quase que não chegam.

E é aqui que quero chegar. Estamos cada vez mais soltos da prisão dos fios e da confusão. Tudo é cada vez mais automático. Móvel. Livre. O escritório é onde tu quiseres. A sala também. Até já existem protótipos de casas em que os dispositivos começam a carregar assim que entramos nelas!

Mas, em tempos idos, quando apareceram os telemóveis, já me havia perguntado: então e estas novas ondas que pairam pelo ar? O telefone aquece muito a zona do meu ouvido enquanto falo. Se os microondas são revestidos com materiais de proteção que impedem a libertação de radiação, então e os telemóveis? E hoje, com tudo a funcionar via *Bluetooth*, as luzes todas da casa ligadas a *hubs*... se as ondas que ligam tudo a tudo fossem visíveis, talvez enlouquecessemos com a confusão.

A pergunta sobre o preço a pagar por tamanho conforto é pertinente e, longe de merecer o escárnio, tem vindo a ser profusamente estudada. Sim, porque uma coisa é refletir, inquirir e alertar, e outra são boatos e pânico lançados na *Internet* por fanáticos e sensacionalistas desesperados por clicks e visualizações. 

A investigação e os dados científicos têm como finalidade – mais: como missão – informar e esclarecer aqueles que, como nós, não compreendemos os detalhes técnicos da realidade que nos rodeia. A confiança na Ciência deverá, em princípio, ser o que nos permite viver o dia a dia com mais tranquilidade (atenção que não descarto aqui a fé e a crença religiosa. Mas isso são outros assuntos).

## Radiação não-ionizante

É disto que estou a falar. Para ser bem objetivo, vou citar a Direção Geral de Saúde, a partir da página dedicada a esta questão, que podes ver, [aqui](https://www.dgs.pt/paginas-de-sistema/saude-de-a-a-z/radiacoes-nao-ionizantes.aspx).

> A radiação não-ionizante caracteriza-se pelo facto de não transportar energia suficiente que permita quebrar as ligações entre partículas dos átomos, ou seja, não tem a capacidade de produzir ionização.

Existe inclusivamente uma Comissão Internacional de Proteção Contra Radiação Não-Ionizante (ICNIRP), cuja [*página*](https://www.icnirp.org) contém informação muito relevante para quem quer saber mais sobre este assunto. A Organização Mundial de Saúde dedica uma secção específica à exposição a [campos electromagnéticos](https://www.who.int/health-topics/electromagnetic-fields#tab=tab%5F1).

![Espectro Electromagnético | Fonte: Michael Krummer](https://storage.ghost.io/c/8d/0d/8d0db5d4-b0a3-45c4-a9da-57d5aab28078/content/images/2025/11/image-727.png)

Espectro Electromagnético | Fonte: [Michael Krummer](https://michaelkummer.com/health/how-emfs-impact-health/)

## Pois... mas e então sobre os AirPods?

O tema é delicado e portanto, como devemos fazer em tudo na nossa vida, mais do que o ditado "*O saber não ocupa lugar*", temos que ter presente que o saber esclarece, salva vidas e melhora a Humanidade.

Segundo o artigo intutulado [*Real-world cell phone radiofrequency electromagnetic field exposures*](https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0013935118305024)*,* publicado em 2019 na revista *Environmental Research:*

> Não existem ainda evidências suficientes que demontrem que os auscultadores wireless representam riscos para a saúde que legitimem a sua não utilização.

Em 2011, a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro da Organização Mundial de Saúde publicou um [sistema de classificação](https://www.iarc.who.int/wp-content/uploads/2018/07/pr208%5FE.pdf) que relaciona a exposição dos seres humanos a campos eletromagnéticos com a probabilidade de contrair cancro. Neste âmbito a Organização Mundial de Saúde afirmou:

> Atualmente, não existem evidências comprovadas de que os campos eletromagnéticos de baixo nível previstos para os Apple AirPods possam causar cancro.

![AirPods Pro | Fonte: Apple](https://storage.ghost.io/c/8d/0d/8d0db5d4-b0a3-45c4-a9da-57d5aab28078/content/images/2025/11/image-728.png)

AirPods Pro | Fonte: Apple

## Conclusão

Concluo este artigo com um[ *fact-checking* emitido pela agência Reuters](https://www.reuters.com/article/factcheck-health-airpods-idUSL2N2OD0WO). Mais particularmente com a resposta da própria Apple a esta agência informativa. Fará algum sentido crer no que dizem, tendo em conta que, se a realidade for diferente, a confiança na marca sofrerá um gigantesco abalo, o que se traduzirá numa redução drástica da procura. E a Apple não quer isso, pois não?

> Levamos muito a sério a saúde e a segurança dos nossos clientes. Projetamos todos os nossos produtos com cuidado e os testamo-los extensivamente para garantir que cumprem os requisitos de segurança aplicáveis. Os AirPods e outros dispositivos sem fio da Apple cumprem com todas as diretrizes e limites de exposição à radiofrequência aplicáveis. Além disso, os AirPods e os AirPods Pro estão mais de duas vezes abaixo dos limites aplicáveis de exposição à radiofrequência.

Portanto, e até haver provas em contrário, não acreditem em tudo o que se vê e lê nas redes sociais. Não haver evidências significa que até à data todos os testes realizados em estudos científicos infirmaram a pergunta de partida.

Portanto, parece seguro afirmar que os AirPods (ou qualquer outro auscultador *Wireless* que cumpra os limites aplicáveis de exposição à radiofrequência) não irão, de facto, fritar o nosso cérebro.