Porquê o Mac

Porquê o Mac

Vivemos numa era em que o tempo é escasso. Teremos tempo para coisas que não funcionem tão bem como esperaríamos?

Gonçalo Antunes de Oliveira
∙ 4 minutos de leitura

Nesta fase de alterações de fundo preconizadas pela Apple, o site oficial disponibilizou uma página com esta questão. O mercado e a sociedade de consumo são subjectivos e actuam de acordo com as preferências do consumidor. Daí a complexidade em torno de todo e cada passo envolvido na criação de um produto desde a sua concepção até à sua chegada às nossas casas.

Na referida página, o primeiro parágrafo, em letras destacadas reza assim:

"Intuitivo. Incrivelmente poderoso. Pensado para trabalhar, jogar e criar como nunca imaginou. É o computador que já vem com apps prontas a funcionar e atualizações de software regulares e gratuitas que mantêm tudo atualizado e a trabalhar sem problemas. Se já tem um iPhone, vai usar o Mac com toda a naturalidade."

E segue com cinco grandes retângulos intitulados:

  • Ligar. Configurar. Pronto a usar;
  • O Mac consegue fazer mais por si;
  • Super intuitivo. Super simples;
  • Faz equipa com os seus dispositivos Apple;
  • Mantém a privacidade, em pri····.

Aqueles anúncios...

Longe vão os tempos em que a dupla composta pelos atores Justin Long e John Hodgman faziam as delícias dos fãs da Apple com os inúmeros anúncios "Get a Mac" invariavelmente iniciados pela apresentação "Hello, I'm a Mac. And I'm a PC". Podes assistir a todos estes anúncios a seguir.

Curiosamente, aquando do lançamento do novo SoC M1 pela Apple, o ator John Hodgman voltou a encarnar o personagem no final do evento:

E a Intel riposta

Perante esta repetente revolução da maçã, o seu novamente concorrente Intel decidiu ripostar, contratando Justin Long para representar, desta feita um PC, ou melhor, "Hello, I'm a... Justin. Just a real person" em anúncios intitulados "Get Real". Uma pessoa normal a apresentar um comparativo entre computadores Apple e PCs com Intel, produtos para "pessoas normais". Um sarcasmo interessante orientado para um combate com duas décadas de atraso dirigido às "pessoas normais" cuja lógica quotidiana é desafiada pelas pouco impressionantes inovações trazidas pela Apple, que à partida pouco ou nada trazem de novo, em relação à quantidade que os PCs oferecem.

Pessoalmente, e claro que sou suspeito para falar, praticamente todos estes anúncios da Intel apenas demonstram o motivo que me levou a mudar para Mac nos tempos em que o Justin Long o representava.

Mas então, porquê o Mac?

Porquê comprar um produto cujas inovações vêm sempre atrasadas em relação à concorrência? Como já aqui escrevemos nas várias análises recentes que temos feito da WWDC 2021, muitas das novas funcionalidades destes softwares já por aí andam na Google, ZOOM, Microsoft, entre outros.

E por muito que já tenhamos refletido e escrito sobre isto, o artigo de Marques Brownlee no website Inc. resume bastante bem a diferença entre um Mac e um PC:

  • PC: características novas, de ponta e super-inovadoras;
  • Mac: algo atrasadas no lançamento, mas mais polidas e interligadas.

Na verdade, tudo se resume à experiência final do consumidor. E esta é a estratégia de excelência da equipa da Apple: conciliar um produto que tem um aspeto visual e estético absolutamente distintivo (toda a gente sabe que é um Mac) com um ecossistema em que a interação entre todos os dispositivos da marca funciona sem falhas e de modo fluído.

Sabemos que a inovação, não advém de uma epifania, mas antes de trabalho contínuo que vai sendo colocado no mercado de modo controlado. Nos anos 1990, aquando da substituição das disquetes por CDs, tudo começou com velocidades de 1x, passando para 2x e assim sucessivamente. Claro que já existiam mais rápidos, mas o filão tem que ser explorado.

Portanto, seja a Apple, seja a Google ou outra empresa, muitas das coisas que ainda não estão cá fora, muito possivelmente já estarão programadas para os anos vindouros. Então porque é que uns lançam primeiro que os outros? Nesta corrida, não é líquido que quem ganha é quem chega primeiro à meta.

O consumidor está cada vez mais exigente. E para alguns, o que brilha mais pode já não ser o que se torna mais atrativo. Num mundo cada vez mais rápido, repleto de novidades já não há tempo para ler manuais de instruções. Já não há tempo para que atualizações de software invasivas impeçam ou limitem a utilização do dispositivo. Já não há tempo para que as coisas não funcionem como esperaríamos, ou que interrompam a normal dinâmica do dia.

A tecnologia tem que passar despercebida na vida quotidiana e servir o seu propósito, que é justamente a facilitação desse dia a dia. E, como ter um computador em casa, um computador portátil, um telefone, um tablet, uns auscultadores, um relógio, uma set-top-box, e mesmo eletrodomésticos inteligentes se torna cada vez mais usual, curiosamente a única coisa que o consumidor espera é que tudo funcione "à maneira antiga", ou seja, se tocas num botão, a ação acontece. E com uma atualização "século XXI": que a ação aconteça em tudo, e entre tudo.

Porquê um Mac? Porque funciona. Talvez os seus anúncios da primeira década deste século não estejam tão desatualizados como isso. É tudo uma questão de estratégia. Sim, uma estratégia que, como escreveu a nossa colega Joana Cabral, pode ser uma "prisão sem grades nas janelas". Mas uma estratégia que claramente continua a resultar.


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