HomeView: a Apple promete proteger a tua privacidade de cinco maneiras diferentes

HomeView: a Apple promete proteger a tua privacidade de cinco maneiras diferentes

Um ecrã com câmara e microfones, sempre ligado na cozinha e usado por toda a família, levanta duas perguntas práticas. O que vê cada pessoa da casa e o que acontece às imagens e ao som que o aparelho capta. A Apple respondeu no dia da apresentação do HomeView com cinco proteções de privacidade, e cada uma resolve um problema concreto de um aparelho partilhado.

A primeira é a separação de utilizadores. O HomeView reconhece até seis pessoas pelo rosto e mostra a cada uma o seu ecrã principal, com aplicações e widgets próprios. Na prática, quem se aproxima vê a sua agenda e os seus lembretes, e não os do resto da família. Os álbuns partilhados e a música continuam disponíveis para todos, incluindo convidados, o que evita que o aparelho fique inútil para quem não está registado.

A segunda define quando os conteúdos pessoais aparecem. Para mostrar mensagens ou compromissos do calendário, o HomeView tem de reconhecer a cara do utilizador, e o iPhone ou iPad associado deve estar na mesma rede Wi-Fi e ter sido desbloqueado há pouco tempo. Uma fotografia ou alguém parecido não chega, porque falta o telemóvel.

Há uma exceção para quando o iPhone sai do Wi-Fi, desde que tenha estado recentemente na mesma rede, mantenha ligação móvel, continue no mesmo local e tenha sido desbloqueado há pouco. Serve, por exemplo, para quem desliga o Wi-Fi do telemóvel sem sair de casa.

A terceira está dentro do chip A18. As Secure Exclaves são uma zona isolada que processa as imagens da câmara e o som dos microfones à parte do resto do sistema. Segundo a Apple, nem o sistema operativo, nem as aplicações, nem a própria Apple conseguem aceder ao que ali é tratado. É uma proteção que o utilizador não vê, mas que limita o que uma aplicação mal-intencionada ou uma falha de software poderiam apanhar. Também há uma diferença face à concorrência. Os Echo Show da Amazon têm uma tampa física para a câmara e um botão que desliga câmara e microfones, e o Nest Hub Max da Google tem um interruptor traseiro com a mesma função. A Apple não referiu nenhum controlo físico deste tipo no HomeView e aposta na proteção por hardware dentro do chip.

A quarta diz respeito à Siri. Os pedidos são tratados no próprio aparelho ou no Private Cloud Compute, os servidores da Apple que, garante a empresa, não guardam os dados nem os tornam acessíveis a ninguém. Para quem pergunta pela receita ou pela meteorologia, a diferença não se nota. Para quem se preocupa com gravações de voz guardadas na nuvem, é um argumento de compra.

A quinta aplica-se às câmaras compatíveis ligadas à casa. O reconhecimento de pessoas, caras conhecidas, animais, encomendas e veículos é encriptado de ponta a ponta, mas exige uma subscrição iCloud+. A privacidade das câmaras fica, assim, ligada a um custo mensal.

Todas estas garantias são da Apple e só vão poder ser testadas quando o HomeView chegar às mãos dos utilizadores, a 13 de novembro. Em Portugal, isso não vai acontecer tão cedo. A Apple não vende o HomeView na União Europeia porque a Siri AI ainda não está disponível no iOS na UE, e não deu datas para mudar a situação.