O iPhone Ultra pode parecer estranho — até imaginarmos "A Odisseia" no seu ecrã
Com a aproximação de setembro, intensificam-se os rumores em torno de um dos possíveis lançamentos mais ambiciosos da Apple: o primeiro iPhone dobrável. Embora o nome “iPhone Ultra” ainda não esteja confirmado, várias informações apontam para um dispositivo de topo capaz de marcar a entrada da empresa de Cupertino neste segmento.
Mais do que um novo formato de smartphone, o alegado equipamento poderá também oferecer uma forma particularmente interessante de consumir cinema em mobilidade.
Segundo as informações divulgadas até agora, o futuro iPhone dobrável deverá abrir-se como um pequeno tablet, com dimensões próximas das de um iPad mini. Algumas fontes apontam para um ecrã interior com uma proporção próxima de 4:3, bastante menos panorâmica do que a dos smartphones tradicionais.
Este detalhe técnico, aparentemente simples, poderá ter implicações relevantes na visualização de conteúdos multimédia, sobretudo de filmes apresentados no formato expandido do IMAX.
É aqui que entra A Odisseia, o mais recente projeto de Christopher Nolan, lançado nos cinemas há poucos dias. O filme tornou-se a primeira longa-metragem rodada integralmente com câmaras de película IMAX e pode ser exibido em 1,43:1 nas salas IMAX 70 mm devidamente equipadas.
Nolan é conhecido pela atenção que dedica aos formatos de captação e exibição. Nos seus filmes, a imagem IMAX expandida permite mostrar uma área maior do enquadramento do que as versões panorâmicas destinadas às salas convencionais.
Um ecrã próximo de 4:3 — proporção equivalente a 1,33:1 — não corresponde exatamente ao formato IMAX 1,43:1, mas está consideravelmente mais próximo deste do que os ecrãs panorâmicos usados na maioria dos smartphones. Na prática, uma versão do filme disponibilizada na proporção original poderia ser apresentada com barras negras relativamente reduzidas e sem necessidade de cortes significativos na imagem.
O alegado iPhone Ultra poderia, por isso, revelar-se especialmente adequado à visualização de versões IMAX expandidas. Contudo, existe uma condição essencial: os estúdios teriam de disponibilizar essas versões nas plataformas digitais.
Ter um ecrã com a proporção adequada não significa, por si só, que o utilizador possa ver toda a imagem captada pelas câmaras IMAX. A edição distribuída em streaming ou para compra digital pode utilizar um enquadramento diferente, como 1,78:1, 1,90:1 ou até um formato panorâmico mais estreito. Atualmente, ainda não foi confirmada a proporção que será usada no futuro lançamento doméstico de A Odisseia.
A proximidade entre a possível apresentação do primeiro iPhone dobrável e as futuras novidades sobre a distribuição doméstica do filme torna a coincidência de calendários interessante. Ainda assim, não existem indícios públicos de uma parceria entre a Apple, a Universal Pictures ou Christopher Nolan.
Uma colaboração deste género seria plausível do ponto de vista comercial. A Apple tem investido de forma crescente no entretenimento, através do serviço Apple TV e da produção de conteúdos originais, e poderia usar um filme de grande impacto visual como este para demonstrar as capacidades de imersividade do seu novo equipamento. Por enquanto, porém, esta possibilidade pertence apenas ao campo da especulação...

O ecossistema da Apple oferece algumas vantagens para este tipo de experiência, incluindo ecrãs OLED de elevada qualidade, reprodução HDR e até suporte para tecnologias de áudio avançadas. A integração entre hardware e software também poderia facilitar a disponibilização de versões de filmes adaptadas ao formato do dispositivo.
Isso não faria de um smartphone um substituto de uma sala IMAX. A escala do ecrã, o campo de visão e o sistema de projeção e som continuam a fazer parte da experiência concebida para cinema. Ainda assim, o alegado iPhone Ultra poderia tornar-se uma das formas mais adequadas de ver conteúdos com imagem expandida num dispositivo móvel.
A Odisseia poderia ser apenas o começo. Filmes como Oppenheimer, Tenet e The Dark Knight já recorreram a câmaras IMAX, embora sobretudo em sequências específicas. A possibilidade de rodar agora uma longa-metragem inteira neste formato poderá incentivar outras produções de Hollywood a seguir o mesmo caminho.
Para que os futuros dispositivos dobráveis possam beneficiar verdadeiramente dessa evolução, será necessário que os estúdios disponibilizem as versões com o enquadramento expandido. É esse fator — mais do que o formato do próprio equipamento — que determinará se um possível iPhone Ultra poderá oferecer uma experiência mais próxima da composição visual concebida pelos realizadores.
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