Web Summit antes, durante e pós-pandemia

No último dia da Cimeira de Lisboa fazemos uma reflexão sobre como era tudo antes, foi durante, e agora é pós-pandemia.
Escrito por Pedro Monteiro e
3 mins de leitura
Web Summit antes, durante e pós-pandemia
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Tenho tido o privilégio de participar da Web Summit nos últimos anos, desde 2018. O que me permite fazer um apanhado em termos comparativos de ano para ano desde aí.

Antes da Pandemia (2018 e 2019)

Em palavras muito diretas sinceras e honestas, milhares de pessoas, encontrões e muito contacto informal para partilha de dados e informações. Qualquer local servia para partilhar um QR Code com os dados do participante e trocar uns minutos de conversa.

Víamos um ambiente completamente descontraído, um melting spot de nacionalidades em que todas falavam a linguagem universal: uns apertos de mão e uns sorrisos. Todos se entendiam numa partilha assídua de contactos, de conhecimento e de experiências tecnológicas.

Havia muito para experimentar, sim, podíamos experimentar algumas das inovações tecnológicas sem qualquer tipo de constrangimento.

Existiam grandes stands de marcas ultra conceituadas, a parte cénica desses stands eram extremamente atraentes o que acabava por abafar as pequenas empresas que estavam ali para tentar chamar a atenção.

Em todo o lado existiam contatos, os apertos de mão eram visíveis nas filas para o almoço, nas filas do café ou simplesmente num momento de descanso num dos bancos ou nas escadarias do Altice Arena.

Sorrisos, inúmeros sorrisos, a língua inglesa e os cumprimentos eram regra para criar amizades desde o primeiro contato até aos dias de hoje em que continuamos a vir a conhecer as mesmas caras.

A Web Summit no annus horribilis (2020)

Para os amantes da cimeira tecnológica a desolação foi brutal  quando em 2020 a edição foi online. Não deixava de ser a Web Summit, verdade, mas não era a mesma coisa. Uma feira tecnológica online não tem o mesmo impacto, a tecnologia tem de ser vista, sentida e experiênciada.

Partilhar informações online é possível, experiências também, mas vivenciar as sensações tecnológicas não é possível online.

Até a própria organização sentiu isso através do feedback dos utilizadores. Os media continuaram a fazer o seu trabalho, mas as startups e os investidores tiveram a vida dificultada para os contatos. A culpa? Da COVID-19.

A Web Summit pós-pandemia (2021 e 2022)

Passamos para o ano 2021, a nova realidade, ou o novo normal, como era conhecido o mundo das máscaras e dos certificados. A Web Summit presencial acabou por retomar, mas não com algumas mas muitas limitações. Uma redução brutal na quantidade de participantes, se não estou em erro nesse ano foram pouco mais de 24.000. O recinto era um deserto apesar das milhares de pessoas. Havia espaço para circular, havia proximidade mas pouca, naturalmente que dada a situação (ainda) pandémica o distanciamento era aconselhado.

Tentávamos ler os sorrisos das pessoas pelos olhos, pois as máscaras eram a barreira de comunicação sem palavras ao perto e ao longe.

Apesar de já existir alguma liberdade e algumas restrições terem sido levantadas, ainda existiam constrangimentos para experienciar os produtos existentes.

Com a maior honestidade possível, não trouxe boas recordações desse ano, pois como disse anteriormente a tecnologia é para ser sentida e experienciada. Algo praticamente inexistente em 2021.

Ano 2022, o regresso à normalidade da Web Summit com o evento a bater todos os recordes de presenças.

Os últimos números avançados pela organização apontavam para os 71.033 participantes. A brutalidade do número é imponente, e o arrepio de saber que fiz parte desse número é um orgulho e uma satisfação.

Todos os anos voltamos para este espaco a pensar que as novidades não vão ser nada de especial, mas enganamo-nos em todas as formas. A tecnologia evolui mais rápido do que aquilo que conseguimos processar a sua própria evolução.

Tudo aquilo que pensamos que já tinha um limite de evolução, no ano seguinte já está melhorado. Durante os últimos anos passamos a conhecer projetos que secretamente acompanhamos a sua evolução. Falo de serviços e produtos, outros que nos chamaram a atenção acabaram por morrer, deixaram de existir ou de ter financiamento.

Para resumir, a edição deste ano foi em termos gerais melhor que todos os outros anos, retomamos ao antigo normal, sem máscaras, sem certificados digitais de COVID, brindes e experiências tecnológicas dentro dos pavilhões.

Que podemos pedir mais neste momento? Nada! Na realidade... sim, podemos pedir mais uma coisa, que a Web Summit se prolongue no tempo e que continue a trazer nomes sonantes no mundo tecnológico.

Devemos um agradecimento muito especial à NordVPN pelo patrocínio da nossa cobertura na Web Summit.

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