48 horas com o iPhone Duo — Estas são as primeiras conclusões!

48 horas com o iPhone Duo — Estas são as primeiras conclusões!

O iPhone Duo chegou finalmente às nossas mãos e, depois de 48 horas de utilização, há uma conclusão que se começa a formar: este não é apenas um iPhone que dobra.

A Apple alterou profundamente a forma como o equipamento é utilizado, desde o formato dos ecrãs até à organização do iOS 27. E isso significa que, mesmo para quem já teve contacto com dobráveis — por exemplo com o Samsung Galaxy Z Fold 8 — os primeiros momentos com o Duo são marcados por alguma estranheza.

Ainda não é tempo para conclusões definitivas. A review completa chegará muito em breve, com mais detalhe e uma análise prolongada a todos os aspetos do equipamento. Mas estas primeiras 48 horas já permitem identificar algumas das características que mais nos surpreenderam — pela positiva e pela negativa.

O ecrã externo é mais estranho do que esperávamos

A primeira impressão é provocada pelo ecrã externo. O formato escolhido pela Apple é diferente daquele a que estamos habituados num iPhone tradicional e, apesar de não ser necessariamente desconfortável, exige habituação. A proporção é mais larga e menos alongada, o que altera a forma como se navega, se escreve e se consulta informação.

A estranheza não está apenas no hardware. A Apple adaptou o iOS para este formato e tomou decisões diferentes na organização dos elementos da interface. Os menus, os controlos e a posição de algumas ferramentas não se comportam exatamente como num iPhone convencional.

É importante sublinhar que esta sensação não resulta de uma má experiência de utilização. O ecrã externo é perfeitamente funcional e, em determinadas tarefas, até se revela bastante confortável. O problema é que o cérebro precisa de tempo para aceitar que aquele é, efetivamente, o novo formato de um iPhone.

Mesmo tendo utilizado anteriormente o Samsung Galaxy Z Fold 8, o Duo não parece simplesmente uma versão da mesma ideia. A Apple criou uma experiência própria, e isso implica uma curva de adaptação que não se ultrapassa de um dia para o outro.

É provável que, com o passar das semanas, deixemos de pensar no formato. Mas, ao fim de 48 horas, ainda estamos claramente nessa fase de adaptação.

O vinco está lá, mas é quase impossível de encontrar

O ecrã interno é, naturalmente, o grande protagonista do iPhone Duo. E uma das primeiras preocupações quando se utiliza um dobrável continua a ser o vinco.

Ao longo dos últimos dias, várias reviews deram grande destaque à forma como a Apple conseguiu esconder esta marca. Depois de dois dias de utilização, podemos confirmar que o resultado é realmente impressionante.

O vinco existe, mas é extremamente discreto. Dos mais discretos que já vimos num dobravel até à data — claro está, com apenas dois dias de utilização. Na utilização normal, praticamente não damos por ele. Só quando colocamos deliberadamente o ecrã contra uma fonte de luz e fazemos um esforço consciente para o encontrar é que conseguimos identificá-lo.

Aliás, uma das coisas mais curiosas é perceber como a perceção do vinco muda durante a utilização. Quando pegamos no equipamento pela primeira vez, procuramo-lo imediatamente. Depois, à medida que começamos a ler, navegar, ver vídeos e utilizar aplicações, deixamos simplesmente de pensar nele.

Em 48 horas, o vinco tornou-se praticamente irrelevante.

A película de nanotextura é uma agradável surpresa

A nanotextura é uma das características mais discutidas do iPhone Duo e também uma das menos consensuais entre os primeiros analistas. No nosso caso, a avaliação inicial é bastante positiva.

A película de nanotextura torna o ecrã interno mais agradável de utilizar. Não apenas porque ajuda a disfarçar ainda mais o vinco, mas também porque reduz bastante a acumulação de dedadas e sujidade.

Um ecrã dobrável aberto tende a ser muito exposto ao toque. Ao contrário de um iPhone convencional, seguramos frequentemente o equipamento pelas duas extremidades e interagimos com uma área muito maior. Nesse contexto, é particularmente agradável não estar constantemente a limpar o painel.

A superfície também parece proporcionar uma experiência visual mais confortável. Há menos reflexos e o conteúdo parece mais fácil de consultar durante períodos prolongados. Para leitura, navegação e utilização geral, a sensação é bastante agradável.

Isto não significa que a nanotextura seja isenta de riscos. Pelo contrário: a limpeza deverá exigir cuidados redobrados. Não será aconselhável tratar este ecrã como se fosse um painel convencional, utilizando qualquer pano ou produto disponível. O novo pano da Apple é mesmo a opção mais segura para fazer a limpeza do painel.

Claro está, a durabilidade do acabamento é uma questão que só poderá ser avaliada ao longo do tempo. Mas apenas 48 horas de utilização, nada a apontar.

Também não podemos ignorar a visibilidade sob luz solar direta. A película de nanotextura afeta ligeiramente o uso e a intensidade da imagem exibida quando comparada com um painel brilhante. No entanto, a experiência foi menos negativa do que algumas das primeiras reviews nos fizeram esperar.

O entusiasmo inicial pode estar a influenciar esta nossa apreciação. Só uma utilização prolongada, em diferentes condições de luz, permitirá perceber se estamos perante uma verdadeira vantagem ou apenas uma característica que impressiona durante os primeiros dias.

As câmaras revelam imediatamente uma limitação

Foi ainda em Madrid que tivemos a oportunidade de colocar as câmaras do iPhone Duo à prova. Durante a cobertura do lançamento, aproveitámos para percorrer o centro da cidade e fotografar diferentes cenários: ruas movimentadas, edifícios, monumentos, zonas com maior contraste e situações em que era necessário recorrer ao zoom.

A conclusão inicial é simples: as câmaras são boas. O iPhone Duo consegue produzir fotografias equilibradas, com cores naturais e um nível de detalhe que não desilude.

Mas também é evidente que não está ao nível do iPhone 18 Pro. E essa diferença torna-se particularmente visível na capacidade de aproximação.

O zoom até 2x é competente, mas a ausência de uma opção de zoom com maior qualidade faz-se sentir.

Em Madrid, houve várias situações em que queríamos aproximar um detalhe arquitetónico, uma inscrição ou um elemento mais distante e percebemos imediatamente que estávamos perante uma solução mais limitada.

Nenhum dobrável conseguiu ainda combinar o formato fino e flexível com um sistema de câmaras ao nível dos melhores modelos Pro. Isso é verdade. Mas também é verdade que estamos perante o iPhone mais caro de sempre, e por isso é legítimo esperar mais.

O sistema fotográfico do Duo não é mau. Longe disso. Simplesmente não parece estar totalmente alinhado com o preço e com o posicionamento do equipamento.

O Face ID faz falta desde o primeiro momento...

Outra ausência que sentimos imediatamente foi o Face ID. A Apple optou pelo Touch ID integrado no botão lateral, uma decisão que provavelmente está relacionada com as limitações de espaço e espessura do formato dobrável.

O sensor funciona bem. Não há dúvidas quanto a isso. Mas depois de vários anos a desbloquear o iPhone apenas com um olhar, regressar à impressão digital é menos natural.

Mesmo com o desbloqueio através do Apple Watch ativado, a experiência nem sempre é consistente. Há momentos em que funciona rapidamente, mas também existem situações em que simplesmente não funciona. Essa inconsistência torna o desbloqueio menos fluido do que estamos habituados.

A Apple deveria ter feito um esforço maior para integrar o Face ID neste equipamento. Não apenas porque é uma das funcionalidades mais reconhecidas do iPhone hoje em dia, mas também porque o Duo é o modelo mais caro de sempre da empresa.

Num produto deste preço, algumas concessões tornam-se mais difíceis de aceitar.

A autonomia parece promissora, mas ainda é cedo para o afirmar

Ao nível da autonomia, ainda não queremos tirar conclusões definitivas.

O iPhone Duo tem duas células de bateria, distribuídas pelas duas metades do equipamento, e o sistema parece gerir bem essa arquitetura. Os dois ecrãs conseguem funcionar sem que a autonomia pareça imediatamente comprometida.

Durante estas primeiras 48 horas, a experiência não nos pareceu muito diferente daquilo que encontramos nos modelos Pro Max da Apple. O Duo não aparenta ter uma vantagem esmagadora, mas também não transmite a sensação de que o formato dobrável obrigou a aceitar uma autonomia claramente inferior.

Ainda assim, este será um dos pontos que vamos acompanhar com maior atenção para a review completa. A utilização diária, os jogos, a gravação de vídeo, a navegação com brilho elevado e a utilização prolongada do ecrã interno poderão revelar diferenças que ainda não são evidentes.

Primeiras conclusões

As primeiras 48 horas com o iPhone Duo foram marcadas por uma combinação curiosa de estranheza e entusiasmo.

iPhone Duo na cor céu noturno

O ecrã externo exige adaptação. O Face ID faz falta. As câmaras revelam limitações claras no zoom. E o preço torna todos estes compromissos mais difíceis de ignorar.

Por outro lado, o ecrã interno é excelente, o vinco está praticamente resolvido no uso diário e a nanotextura está a revelar-se uma das características mais agradáveis do equipamento. A construção transmite confiança e o formato começa a fazer sentido à medida que o utilizamos em diferentes contextos.

Ainda não é possível dizer se o iPhone Duo justifica plenamente o preço. Também não é possível concluir se a nanotextura irá envelhecer bem, ou se a autonomia será realmente equivalente ou até superior à dos modelos Pro Max.

Para já, podemos dizer que o Duo não é um produto indiferente. Obriga-nos a reaprender alguns hábitos, mas também abre possibilidades que nenhum outro iPhone até agora ofereceu.

A review completa será publicada em breve aqui no iFeed, com uma análise que vai tocar também em pontos como desempenho, software, multitarefa, utilização quotidiana, e mais detalhe na autonomia e câmaras.

Estas são apenas as primeiras impressões. Mas, ao fim de 48 horas, já parece claro que o iPhone Duo merece ser levado muito a sério.


P.S. - post scriptum: A pressa de encontrar defeitos

Parece-nos pouco razoável que se continue a dar tanto destaque ao facto de aplicações de terceiros ainda não estarem otimizadas para o iPhone Duo. O telefone acabou de chegar ao mercado e, nestas primeiras 48 horas, já vimos aplicações como Revolut, Netflix, Facebook, Instagram, YouTube, X, Tesla e ChatGPT, entre muitas outras, a receberem suporte para o novo formato.

É natural que, nos próximos dias e semanas, surjam cada vez mais aplicações devidamente adaptadas. Não se pode esperar que, no primeiro dia de vendas, todo o ecossistema de aplicações de terceiros esteja completamente preparado para uma nova categoria de iPhone.

Essa foi, a nosso ver, uma das lacunas das primeiras reviews que lemos. Em alguns casos, pareceu existir uma vontade excessiva de transformar uma limitação perfeitamente previsível numa falha definitiva do produto. Dar algum benefício da dúvida — especialmente quando as atualizações já estão a chegar — teria sido uma abordagem mais justa do que alimentar uma crítica desproporcionada apenas porque é mais fácil gerar cliques.