Home Collection: a casa inteligente da Apple ganha finalmente forma. Mas há um senão

Home Collection: a casa inteligente da Apple ganha finalmente forma. Mas há um senão

Durante anos, a Apple deixou os acessórios para a casa inteligente aos outros e limitou-se a certificá-los. Com a Apple Home Collection, anunciada esta terça-feira, passa a escolher e a vender a sua própria linha, desenhada com a LG Electronics e a Schneider Electric.

Há câmaras de interior e de exterior, um holofote com câmara, uma campainha com vídeo, uma fechadura, dois termóstatos e sensores de temperatura. Tudo se configura com um toque no iPhone, gere-se na app Casa sem outra conta nem outra aplicação, e os dados ficam encriptados de ponta a ponta. A Apple vende-os na loja online e nas suas lojas a partir de dezembro, com alguns modelos a ficar para o início de 2027.

A disponibilidade é o primeiro filtro, e Portugal não passa. As câmaras e a campainha da LG chegam aos EUA, ao Canadá e ao Reino Unido. A fechadura e os termóstatos ficam pelos EUA e pelo Canadá. Nenhum país da UE aparece no comunicado da Apple nem no da LG, o que deixa de fora também Espanha, o caminho habitual de quem compra produtos Apple que não chegam cá. Não há, por isso, preços em euros. Nos EUA, a câmara de interior custa 199.95 dólares, a campainha 249.95, a câmara de exterior 299.95, a fechadura 349.95 e o holofote 399.95. Os termóstatos custam 199.95 dólares e cada sensor 39.95.

Ao contrário do HomeView, a Apple não liga esta ausência à Siri AI nem à UE. A explicação mais provável está nos próprios produtos. Os termóstatos foram pensados para sistemas de aquecimento e arrefecimento centrais e para tarifários elétricos norte-americanos, que pouco têm a ver com as casas portuguesas. A fechadura usa Ultra Wideband para abrir a porta quando o dono se aproxima, e as fechaduras europeias seguem formatos diferentes das deadbolt americanas. As câmaras seriam as candidatas mais óbvias a chegar à Europa, mas para já só o Reino Unido as recebe. A Apple não deu datas para outros mercados.

O que interessa a quem vive em Portugal é que a casa da Apple não depende desta coleção. A Apple lembra que a Home Collection se soma aos milhares de acessórios Works with Apple Home e Matter já existentes, e esses vendem-se cá em lojas como a Worten e a Fnac ou em sites europeus. Câmaras, campainhas, fechaduras e sensores de várias marcas funcionam na app Casa, com o mesmo controlo pelo iPhone e pela Siri tradicional. A condição é ter uma central em casa. A LG indica que os novos acessórios precisam de um HomePod, HomePod mini, Apple TV 4K ou HomeView, e em Portugal a Apple só vende oficialmente a Apple TV 4K, com o novo modelo a 349€.

A Home Collection mostra para onde a Apple quer levar a casa inteligente, com produtos escolhidos por ela, configuração mínima e privacidade como argumento de venda. Também mostra que, por agora, essa visão é desenhada para a América do Norte e, em parte, para o Reino Unido. Para o utilizador português, a coleção funciona sobretudo como referência do que procurar noutras marcas compatíveis com Matter. A Apple escolheu com cuidado os parceiros, os materiais e o design. Falta escolher os mercados europeus.