Olá, HomeView. A casa é tua — quando te deixarem entrar...

Olá, HomeView. A casa é tua — quando te deixarem entrar...

Há um novo membro na família Apple! Não vai para o bolso, não se usa no pulso e também não precisa de um lugar na secretária. Quer ficar na cozinha, na mesa de cabeceira ou até pendurado no corredor. Chama-se HomeView e tem uma missão bastante ambiciosa: tornar-se naquele ecrã para o qual toda a gente olha quando precisa de alguma coisa.

O jantar está ao lume e precisas do próximo passo da receita? Pergunta à Siri. Tocaram à campainha? Espreita a câmara. Não sabes onde deixaste o iPhone? O HomeView ajuda. Queres chamar toda a gente para a mesa? Também trata disso — se depois alguém aparece, já é outra conversa.

É a Apple a dar um ecrã à sua ideia de casa inteligente. E, pelo menos no papel, há aqui bastante para gostar. Só é pena que, para quem vive em Portugal, a apresentação venha acompanhada de um enorme «para já, não»...

Um bocadinho de iPad, um bocadinho de HomePod

A forma mais rápida de explicar o HomeView é imaginar um ecrã de 7 polegadas em cima de uma coluna, sempre pronto a dar uma ajuda. Mas a Apple quer que a experiência vá além de um tablet pousado na bancada.

O ecrã Liquid Retina muda a quantidade de informação consoante a distância a que estás. Ao fundo da sala, interessa ver as horas sem semicerrar os olhos. Mais perto, já faz sentido ter controlos e detalhes. O brilho também acompanha o ambiente, incluindo quando chega a hora de apagar a luz.

A versão de mesa tem uma base com coluna e uma articulação que permite inclinar o ecrã. Há quatro cores à escolha: prateado, luz das estrelas, rosa e cinzento sideral.

Quem preferir pendurá-lo pode optar pelo modelo de parede, disponível em prateado e cinzento sideral, com suportes vendidos à parte.

E há um pormenor que faz toda a diferença num aparelho que vai viver nas áreas comuns: reconhece até seis pessoas pelo rosto e adapta-se a cada uma. Os teus widgets, os teus lembretes, a tua agenda. Porque partilhar a casa não significa que toda a gente precise de ver as tuas mensagens.

Segundo a Apple, os conteúdos pessoais só aparecem quando o utilizador é reconhecido e o iPhone ou iPad associado está próximo e foi desbloqueado recentemente.

A Siri AI vai ter de mostrar o que vale

Mais do que o ecrã ou as cores, é a Siri AI que carrega a promessa do HomeView. Afinal, um dispositivo para usar enquanto cortamos cebolas não pode depender de andarmos sempre a tocar-lhe.

A Apple promete conversas mais naturais, respostas a perguntas sobre os mais variados temas e uma assistente capaz de perceber o que está no ecrã. Com um iPhone ou iPad compatível com Apple Intelligence, entra também em jogo o contexto pessoal: informação das Mensagens, compromissos do Calendário e ações entre aplicações.

É aqui que o HomeView terá de justificar o seu lugar em casa. Pôr uma música a tocar é útil. Conseguir ajudar no meio da confusão de uma manhã, sem obrigar a repetir o pedido três vezes, é o que pode fazer a diferença. Essa parte fica para quando for possível experimentá-lo.

No lançamento, a Siri AI do HomeView fala apenas inglês.

Entre o jantar, o FaceTime e o Snoopy

Não falta o lado mais descontraído. Há Apple Music, podcasts, conteúdos na app Apple TV e chamadas FaceTime com Enquadramento central, para manter as pessoas na imagem mesmo quando não param quietas.

Na cozinha, o HomeView transforma receitas da internet em instruções passo a passo e permite controlar temporizadores por voz. Pela casa, o Intercomunicador serve para enviar recados para outras divisões. E, nos intervalos, o ecrã pode mostrar fotografias ou animações do Snoopy. Uma agenda cheia de reuniões fica sempre um pouco mais suportável com o Snoopy ao lado.

Para quem já tem uma casa cheia de acessórios inteligentes, há uma utilidade mais imediata: juntar os controlos num sítio acessível a todos. Luzes, estores, temperatura, fechaduras e câmaras deixam de depender apenas do telemóvel de quem configurou tudo.

O HomeView pode mostrar até nove câmaras em simultâneo e funciona com acessórios Matter e Works with Apple Home. A acompanhar chega ainda a Apple Home Collection, uma gama de câmaras, termóstatos e uma fechadura desenvolvida com a LG Electronics e a Schneider Electric.

A parte em que voltamos a lembrar-nos de onde vivemos...

O HomeView chega a mercados selecionados a 13 de novembro, por 299 dólares nos Estados Unidos, tanto na versão de mesa como na de parede. Os suportes desta última pagam-se à parte.

E em Portugal? Nada, para já. Nem cá, nem em qualquer outro país da União Europeia.

A explicação apresentada pela Apple é que a Siri AI continua indisponível no iOS na UE. A empresa diz estar a trabalhar com as instituições europeias para encontrar uma solução, mas não aponta uma data. O impasse regulatório já nos é familiar; desta vez, deixa um equipamento inteiro fora das lojas europeias.

O HomeView até pode vir a ser aquele produto que só percebemos que nos fazia falta depois de o termos em casa. Por enquanto, por cá, nem chegamos à discussão sobre se vale a pena gastar dinheiro nele.

A Apple já escolheu um lugar na nossa cozinha. Falta conseguir chegar à nossa porta.