Apple Watch Ultra 4 vs Ultra 3: onde está a verdadeira diferença?

Apple Watch Ultra 4 vs Ultra 3: onde está a verdadeira diferença?

O Apple Watch Ultra nunca foi o tipo de relógio que pede uma troca todos os anos — e o Ultra 4 não muda isso. Quem olhar apenas para o design vai encontrar praticamente o mesmo modelo de 2025.

As diferenças aparecem sobretudo longe da tomada e durante os treinos: a bateria dura mais, o carregamento ficou mais rápido e os novos sensores conseguem acompanhar o corpo com maior frequência. A questão é saber se isso basta para deixar o Ultra 3 para trás.

Design quase não mudou

Visualmente, é difícil distinguir os dois. Ambos utilizam uma caixa de 49 mm em titânio de Grau 5, têm 44 mm de largura e 12 mm de espessura. O Ultra 4 pesa 63 gramas na versão em titânio natural, contra 61,6 gramas no antecessor, uma diferença pequena demais para ter grande impacto no pulso.

Também não há uma evolução relevante no ecrã. Continuamos com um painel Retina OLED LTPO3 de 422 x 514 píxeis, brilho máximo de 3000 nits e proteção em cristal de safira.

O resto da proposta mantém-se igualmente familiar: Botão Ação, resistência à água até 100 metros, certificação IP6X contra poeiras e recursos próprios para mergulho e atividades ao ar livre. Portanto, quem já gosta da construção do Ultra 3 não vai encontrar uma razão para trocar apenas pelo visual.

S11 e novos sensores

É no hardware interno que a nova geração ganha algum espaço. O S10 do Ultra 3 dá lugar ao S11, acompanhado agora por 4 GB de RAM, o dobro dos 2 GB do modelo anterior. O armazenamento continua nos 64 GB.

Não é uma mudança que vá fazer o Ultra 3 parecer lento de repente, mas dá ao Ultra 4 mais margem para novas funcionalidades e futuras versões do watchOS. O novo chip também serve de base para alguns recursos de saúde e inteligência que não chegam ao modelo anterior da mesma forma.

A Apple adicionou ainda o Health Sensing System, com sensores cardíacos revistos. A frequência cardíaca passa a ser monitorizada em segundo plano com intervalos mais curtos e a variabilidade do ritmo cardíaco pode ser analisada com muito mais frequência. É daqui que surge também o Recovery HRV, pensado para ajudar a perceber melhor períodos de esforço, stress e recuperação.

O Ultra 3 continua bastante completo neste campo, com ECG, oxigénio no sangue, temperatura no pulso, notificações de hipertensão e análise do sono. O Ultra 4 não substitui tudo isso por algo completamente novo; simplesmente recolhe mais informação e tenta dar-lhe mais contexto.

Readiness ajuda nos treinos

Uma das novidades que melhor encaixa no perfil deste relógio é o Readiness. A funcionalidade cruza atividade recente, carga de treino, sono e sinais vitais para gerar uma pontuação diária entre 0 e 10.

Na prática, serve para dar uma indicação rápida sobre o estado do corpo antes de um treino: se há margem para puxar mais ou se aquele pode ser um bom dia para abrandar.

Não é uma função que, sozinha, justifique trocar de relógio. Mas num Ultra, pensado precisamente para pessoas que treinam com frequência e passam muito tempo em atividade, acaba por ter mais utilidade do que parece à primeira vista.

Autonomia sobe para 50 horas

Se há uma mudança que se nota facilmente sem abrir menus nem olhar para sensores, é esta. O Ultra 3 promete até 42 horas de utilização normal e 72 horas em modo de baixo consumo. No Ultra 4, a Apple sobe esses números para 50 e 84 horas, respetivamente.

O carregamento também dá um salto interessante. Quinze minutos ligados à corrente podem render até 18 horas de utilização no novo modelo, contra cerca de 12 horas no Ultra 3. Para quem costuma dar uma carga rápida antes de sair de casa ou antes de dormir, é uma melhoria bem mais útil do que parece.

Durante treinos longos, a diferença fica ainda mais evidente. O Ultra 4 pode chegar às 25 horas no Extended Workout Mode e até 45 horas no Max Extended Workout Mode, mantendo GPS e monitorização cardíaca durante muito mais tempo.

Os dois recebem o watchOS 27

Os dois são compatíveis com watchOS 27, portanto várias das novidades gerais do sistema chegam também ao Ultra 3. Isto evita que o modelo anterior pareça desatualizado apenas por ter um ano a mais.

O Ultra 4 fica com algumas vantagens por causa do S11 e dos sensores mais recentes, incluindo Readiness, Recovery HRV e os recursos de Audio Intelligence. Entre eles estão reconhecimento de sons, identificação automática de músicas e ferramentas para recuperar ou resumir partes de conversas.

Preço

A Apple manteve os 909 € como preço de entrada do Apple Watch Ultra 4, exatamente o mesmo valor pelo qual o Ultra 3 chegou ao mercado no ano passado.

Na prática, as melhorias na bateria, no S11 e nos sensores chegaram sem qualquer aumento nesse valor. É um ponto positivo, ainda mais numa geração que mudou pouco por fora.

Faz sentido sair do Ultra 3?

O Ultra 4 melhora em pontos importantes, mas não transforma o Ultra 3 num relógio ultrapassado. O ecrã é praticamente o mesmo, a construção continua excelente e boa parte das funções de saúde e desporto já estava presente no modelo anterior.

O motivo mais convincente para trocar está na autonomia. Passar de 42 para 50 horas, carregar mais depressa e ganhar mais margem em treinos longos faz diferença num relógio criado justamente para esse tipo de utilização. Os novos sensores e o Readiness reforçam o pacote, sobretudo para quem acompanha treino e recuperação com bastante atenção.

Se a bateria do Ultra 3 já chega perfeitamente para a tua rotina e essas novas métricas não fazem grande diferença, eu ficaria com ele. Já numa compra nova, a história muda completamente: pelo mesmo preço de lançamento, o Ultra 4 é simplesmente a opção que faz mais sentido.