Há sempre aquele momento curioso quando a Apple lança um produto mais “acessível”. Por um lado, sabemos que a marca raramente falha na qualidade de construção. Por outro, quando vemos um preço mais baixo do que o habitual… surge sempre aquele 1% de dúvida. Onde é que cortaram? O que é que vamos notar primeiro?
Depois de 48 horas com o novo MacBook Neo, podemos dizer que há coisas que nos surpreenderam - e outras que deixam com aquela vontade de coçar a cabeça...
Construção de topo num portátil acessível!
A primeira coisa que salta à vista (e às mãos) é a qualidade de construção.
Estamos a falar de um portátil que custa cerca de 700€. Nesta faixa de preço, o mercado está cheio de máquinas feitas de plástico… ou daquele plástico que tenta parecer metal e que denuncia imediatamente o preço do equipamento.


Aqui não. O MacBook Neo é um bloco sólido de alumínio, como estamos habituados a ver na Apple. Nada de rangeres estranhos, nada de flex manhoso no teclado, nada de tampas que torcem quando as abrimos.
Honestamente? Se alguém pegasse nisto sem saber o preço, dificilmente diria que estamos perante o Mac mais acessível de sempre da Apple.
E isso, por si só, já diz muito.
As duas grandes falhas
Apesar da experiência geral ser muito positiva, há duas decisões da Apple que nos custam a perceber.
A primeira é a ausência de retroiluminação no teclado. É uma funcionalidade que faz toda a diferença quando usamos o computador à noite ou em ambientes com pouca luz. E sinceramente, custa-nos acreditar que isto fosse um componente assim tão caro ao ponto de justificar a sua remoção.

A segunda é a ausência de MagSafe. Aqui ainda nos custa mais perceber. O portátil tem duas portas USB-C - sendo que uma delas é apenas USB 2.0 (sim… em 2026). Trocaríamos facilmente esta porta USB 2.0 por um conector MagSafe dedicado para carregamento, já que essa mesma porta USB não será útil para muito mais que carregar o Mac.

De resto? Apple, well done.
Desempenho competente
Falando de desempenho, notamos pequenos momentos de lag. Nada dramático. Coisas como alternar entre várias apps ou multitarefa mais intensa.
Mas estamos a falar de um portátil de 700€ com apenas 8 GB de RAM, por isso convém manter alguma perspetiva.
E também, quer dizer, estamos perante um processador de iPhone que foi transplantado para um Mac! Ainda assim, o desempenho geral está surpreendentemente próximo de máquinas bem mais caras, aproximando-se em vários benchmarks de Macs como o MacBook Air M1 ou até do M2, que ainda hoje se encontram à venda em algumas lojas.
Ou seja: para navegação online, produtividade, escrita, gestão de emails ou trabalho mais leve, o MacBook Neo não se sente limitado.
Outros pormenores
Falando de outros pormenores. Especificamente do ecrã, a melhor forma de o descrever é mesmo: ok. O tamanho é ótimo para trabalhar, e curiosamente as bezels mais grossinhas não são incómodas. Aliás, até pode ser atrativo para quem não aprecia o notch dos MacBooks Air e Pro. Aqui temos um ecrã simples, limpo e sem recortes. Às vezes o simples também sabe bem!

Quanto à autonomia, não vamos ainda divulgar conclusões precipitadas. Dois dias de utilização ainda não são suficientes para perceber verdadeiramente o comportamento da bateria no dia-a-dia. Esse é um tema que ficará melhor explorado na review completa, depois de mais alguns dias de testes reais.
Resumindo e concluindo
Depois destas primeiras 48 horas, a sensação é clara; O MacBook Neo é um produto muito mais interessante do que o preço deixa antever.
Tem duas falhas que poderiam ser facilmente evitadas - falta de teclado retroiluminado e também da porta MagSafe - mas tirando isso, a Apple conseguiu algo raro: um Mac realmente acessível que continua a parecer um Mac.
E isso, no mundo dos portáteis de 700€, não é comum.
Agora falta responder à pergunta mais importante: Será este o novo Mac “óbvio” para a maioria das pessoas? Isso ficará para a review completa.