Estudo mostra que o 'Night Shift’ afinal não ajuda a dormir melhor

Estudo mostra que o 'Night Shift’ afinal não ajuda a dormir melhor

Um novo estudo vem demonstrar que o 'Night Shift' do iOS e macOS afinal pode não ajudar a dormir melhor, como se acreditava.

João Valente
∙ 3 minutos de leitura

Há uns anos atrás, notícias e estudos inundaram a internet sobre o efeito da luz azul emitida pelos dispositivos eletrónicos na qualidade do nosso sono. Estudos estes que levaram à criação de funcionalidades como o 'Night Shift' levando a que os utilizadores diários de dispositivos eletrónicos pudessem dormir melhor.

Foram várias as universidades conceituadas pelo mundo fora que desenvolveram estudos no sentido de provar que a tonalidade azul emitida pelos ecrãs dos nossos smartphones, computadores e tablets estaria a prejudicar o sono das pessoas ao redor do mundo. Foi-lhes dada tanta importância que, incluida no iOS 9.3 chegou uma nova funcionalidade aos iPhones e iPads da Apple denominada Night Shift.

O funcionamento do Night Shift é simples. Este é ativado perto das horas a que o utilizador se costuma deita (podendo ser alterado pelo mesmo) e acrescenta uma tonalidade amarelada ao ecrã, reduzindo assim a quantidade de luz azul emitida pelo mesmo. O resultado esperado seria a melhoria da qualidade do sono dos utilizadores que fizessem uso desta funcionalidade.

Apesar de tudo, recentemente, um novo estudo da Brightam Young University (BYU), vem agora sugerir que toda a ideia de que a luz azul emitida pelos ecrãs dos nossos smartphones, afinal não passa de um mito.

Em que consistiu o estudo?

Agora perguntas-te: se os estudos já estavam feitos e provaram que a luz azul prejudicava o nosso sono, o que mudou para passar a ser considerado um mito? Para responder a isso, temos de comparar os vários estudos.

Os estudos originais baseavam-se sobretudo na medição dos níveis de melatonina – hormona natural do sono – no corpo, juntamente com outros fatores médicos relevantes. Ao contrário destes estudos, a BYU optou por uma estratégia diferente e procurar fazer experiência práticas e, de facto, medir quão bem as pessoas dormiam depois de utilizarem o seu smartphone à noite. Dessa forma, conseguiram testar as teorias das universidades que efetuam os primeiros estudos sobre o assunto.

Assim, o professor universitário e psicólogo Chad Jensen da BYU juntou-se a investigadores do Centro Médico e Hospitalar de Crianças de Cincinnati onde juntaram 167 adultos entre os 18 e 24 anos. Os participantes foram então divididos em três categorias diferentes:

  • Pessoas que usaram o smartphone à noite, antes de dormir, com o Night Shift ativado;
  • Pessoas que utilizares o smartphone à noite, antes de dormir, com o Night Shift desativado;
  • Pessoas que não utilizaram o smartphone à noite antes de ir dormir.

Como foi realizado o estudo?

A forma de organizar o estudo foi simples:

  • Os participantes tiveram de passar, no mínimo, oito horas na cama em cada noite;
  • Enquanto dormiam, os participantes tiveram de usar um acelerómetro no pulso para monitorizar a atividade durante o sono;
  • Por fim, os participantes que tiveram de utilizar o smartphone, tinham uma aplicação para monitorizar o seu uso.

Os investigadores mediram parâmetros como:

  • Total de duração do sono;
  • Qualidade do sono;
  • O tempo que o participante demorou a adormecer;
  • E, quão rápido os participantes demoravam a acordar depois de terem adormecido.

Os resultados deste estudo foram claros como a água: não houve quaisquer diferenças entre os 3 grupos de participantes.

Em toda a amostra não houve diferenças entre os três grupos. O Night Shift não é melhor do que usar o smartphone sem o Night Shift ou mesmo não usar o smartphone de todo.

Chad Jensen, professor de psicologia da BYU

Para que os resultados fossem o mais verdadeiros possíveis, a equipa tentou um novo teste. Neste, dividiu os participantes em dois grupos distintos: um com média de sono de sete horas e outro com média de seis horas de sono.

Os resultados deste estudo mostraram-se já um pouco diferentes. Aqui, os membros do grupo de participantes que dormiu sete horas mostraram diferenças na qualidade do sono mediante o uso ou não do smartphone antes de dormir. Contudo, não houve qualquer diferença entre os participantes que utilizaram o smartphone com o Night Shift ativo e aqueles que utilizaram sem a funcionalidade ativada.

Por sua vez, os participantes que dormiram seis horas por noite não mostraram quaisquer diferenças entre eles. Contudo, Jensen concluiu afirmando que:

Quando estás super cansado, simplesmente adormeces, não importa o que fizeste antes de dormir.

Chad Jensen, professor de psicologia da BYU

A conclusão do estudo

A conclusão que Jensen tirou do estudo foi de que os estudos anteriores, que assumiam que a luz azul emitida pelos smartphones prejudicava o nosso sono, podem ter confundido o efeito da luz azul com o esforço normal de simplesmente utilizar um smartphone antes de dormir. Além disso, quando esses estudos foram efetuados, ainda não existia as funcionalidades do Night Shift para que pudessem ter sido feitos testes a comprovar a veracidade dos mesmo estudos.

Em suma, segundo este grupo de investigadores, utilizar o Night Shift antes de ir dormir não irá melhorar o teu sono. Apenas deixar o smartphone encostado num canto de vez e descansar de facto a cabeça dos aparelhos eletrónicos poderá ajudar a que tenhas uma noite mais relaxada.

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