União e Orgulho Latin - Bad Bunny faz história no Halftime Show do Super Bowl

União e Orgulho Latin - Bad Bunny faz história no Halftime Show do Super Bowl

Bad Bunny protagonizou momentos marcantes no intervalo do Super Bowl, ao apresentar um espetáculo de 13 minutos repleto de simbolismo cultural e mensagens políticas no Levi's Stadium, Califórnia. O artista porto-riquenho tornou-se o primeiro headliner a atuar inteiramente em espanhol no palco mais visto do mundo, numa performance que celebrou a identidade latina e transmitiu uma mensagem clara de resistência e união. 

Desde o primeiro momento, Bad Bunny transformou o palco num tributo visual à sua terra natal. O cenário recriava os campos de cana-de-açúcar de Porto Rico, símbolos inconfundíveis da cultura porto-riquenha. Estes elementos não foram escolhas estéticas aleatórias, mas sim referências deliberadas à herança e à história do seu povo, incluindo as cadeiras de plástico icónicas que aparecem na capa do seu álbum "Debí Tirar Más Fotos". 

A performance incluiu 14 canções, entre as quais sucessos como "Tití Me Preguntó", "Yo Perreo Sola", "Monaco" e "Debí Tirar Más Fotos". Para além disso, Bad Bunny trouxe ainda convidados especiais de peso: Lady Gaga juntou-se a ele para uma versão salsa de "Die With a Smile", e Ricky Martin apareceu para interpretar "Lo Que Le Pasó a Hawaii".

Mensagens Políticas e Culturais Poderosas 

Um dos momentos mais simbólicos da atuação foi a interpretação de "Lo Que Le Pasó a Hawaii" com Ricky Martin, uma canção que aborda temas de limpeza étnica e colonização, traçando paralelos entre a erosão cultural sofrida pelo Havai e as lutas enfrentadas por Porto Rico. 

A mensagem central da performance foi revelada no momento final, quando Bad Bunny ergueu uma bola de futebol americano. Nela estava escrita a frase "Together We Are America" (Juntos Somos América), uma declaração de inclusividade que sublinhou o tema da unidade. Antes de sair do palco, proclamou em inglês "God Bless America", mas expandiu imediatamente a bênção para incluir várias nações das Américas, não apenas os Estados Unidos. Afirmou com orgulho: "E a minha pátria, mi patria, Puerto Rico, seguimos aquí". 

O ecrã gigante por trás dele exibiu uma mensagem final em inglês: "The only thing more powerful than hate is love", uma referência direta a um dos seus discursos recentes nos Grammy Awards de 2026. Bad Bunny encerrou a atuação caminhando acompanhado por pessoas que seguravam bandeiras de vários países, numa demonstração visual de solidariedade e diversidade.

Contexto Político e Impacto Cultural 

A escolha de Bad Bunny para o halftime show do Super Bowl não foi isenta de controvérsia. Tendo em conta o contexto político atual nos Estados Unidos, com a administração Trump a implementar rusgas de imigração em massa, a performance do artista assumiu um significado ainda mais profundo. Bad Bunny tem sido um crítico vocal das políticas de Trump e um defensor da comunidade imigrante e da identidade latina. 

Ao atuar inteiramente em espanhol, Bad Bunny fez uma declaração ousada sobre a importância da língua e da cultura latina na América. Meses antes do Super Bowl, durante uma participação no Saturday Night Live, o artista respondeu às críticas conservadoras dizendo que as pessoas tinham "quatro meses para aprender espanhol". Esta postura manteve-se firme na sua atuação histórica, que registou 133,5 milhões de espectadores, batendo recordes de audiência.  

A performance foi muito mais do que entretenimento: foi um manifesto cultural que colocou Porto Rico, a identidade latina e a questão da pertença no centro das atenções mundiais. Cada elemento foi cuidadosamente planeado para transmitir orgulho, resiliência e esperança. Bad Bunny afirmou antes do espetáculo que este momento era "para o meu povo, a minha cultura e a nossa história", e cumpriu essa promessa ao oferecer uma carta de amor a Porto Rico no palco mais visto do planeta.