Se estás aqui, suponho que já saibas que na próxima terça-feira, a Apple fará uma transmissão para (muito provavelmente) anunciar a próxima geração de iPhones.

Existe também a chance dela aproveitar o ensejo para anunciar coisas que vão desde fones de ouvido, AirTags e outros acessórios, até a chance cada vez menos provável dela aproveitar a atenção para mostrar os novos Macs com processadores ARM (ou, como ela tem chamado Apple Silicon).

Pois bem. No mundo dos rumores, as especulações a respeito dos iPhones são relativamente mornas. Além de obviedades como melhorias na câmara, no processamento e na bateria, não surgiu nada extremamente empolgante a respeito dos aparelhos além de um possível design atualizado, alinhado com a estética dos iPad Pro atuais, uma nova opção de tamanho, uma opção azul no lugar da verde do iPhone 11 e um Face ID insignificantemente menor.

Ironicamente, é por isso que eu digo que este será o iPhone mais importante que a Apple já lançou. Explico: seria bastante empolgante se a Apple superasse todas as (baixas) expectativas e lançasse um iPhone surpreendentemente equipado com recursos e capacidades que ainda não apareceram em sites de rumores pela internet fora. Isso significaria que ainda existe, sim, espaço para o iPhone evoluir a passos largos, explorando tecnologias que nem sequer pensámos que poderiam tornar-se importantes ou úteis num smartphone.

Por outro lado, se a nova geração de iPhones realmente for tão insossa quanto os rumores vêm a apontar, não significa necessariamente que isso seja uma má notícia. Significa que, uma vez em altitude definitiva de cruzeiro, a equipa de engenheiros e designers terá ainda mais tempo, oportunidade, espaço e disponibilidade para explorar novas possibilidades.

Do futuro do Apple Watch ao aguardado anúncio dos Apple Glasses, de iniciativas de casa conectada a ainda mais atenção ao mercado de saúde, uma linha de iPhones 12 “chata” servirá o objetivo de seguir fortalecendo a base tecnológica que abrirá caminho para as novas possibilidades.

Um iPhone cada vez mais potente abre caminho para Apple Watches cada vez mais potentes, iniciativas imersivas cada vez mais potentes (U1, LiDAR, etc), e, francamente, tecnologias que nem eu e nem tu somos capazes de pensar, mas que certamente estão a ser investigadas por quem é PAGO para isso e precisa de mostrar resultados para justificar o próprio salário.

Se todos os rumores se concretizarem e a linha do iPhone 12 for realmente mais um capítulo iterativo na geração que foi apresentada com o iPhone X, eu dificilmente comprarei o aparelho. Reafirmo o que eu respondi no último episódio do Área de Transferência: mostra-me um iPhone sem notch, e eu compro-o amanhã. Fora isso, faço parte da equipa que hoje em dia se sente menos seduzida pelas melhorias iterativas anuais, e que se dá por satisfeita ao trocar de telefone a cada dois, três ou quatro anos.

Uma vez, Bill Gates disse (algo como) que as pessoas superestimam o que pode acontecer em um ano, mas subestimam o que pode acontecer em uma década. Eu concordo com ele. E, dependendo de como vier esse iPhone 12, fico ansioso para ver se este meu texto fará muito mais, ou muito menos sentido à ocasião do lançamento do iPhone 22.