MagSafe no iPhone pode estar em risco... e talvez faça sentido.

Segundo um leaker com histórico razoável, a empresa da maçã está neste momento a discutir internamente algo que, há poucos anos, parecia intocável: o futuro do MagSafe no iPhone.

MagSafe no iPhone pode estar em risco... e talvez faça sentido.

Há decisões que, vistas de fora, parecem óbvias. E depois há a Apple.

Segundo um leaker com histórico razoável, a empresa da maçã está neste momento a discutir internamente algo que, há poucos anos, parecia intocável: o futuro do MagSafe no iPhone.

Quando esta funcionalidade surgiu com o iPhone 12 Pro Max, em 2020, a ideia parecia quase perfeita. Eu próprio alinhei nisso. Achei brilhante o conceito, comprei carregador, experimentei posições, explorei, mais tarde, o lado “inteligente”: aquela ideia de “colar” o telefone na horizontal e ele transformar-se num relógio-despertador e num pequeno centro de informação.

Porém, com o tempo, a sensação de novidade foi-se desvanecendo.

Não porque não funcione. Mas porque, no dia-a-dia, nunca foi a forma mais rápida nem mais prática de carregar. Primeiro com Lightning, agora com USB-C, ligar o cabo continua a ser simplesmente mais eficiente. E, sem dar por isso, o MagSafe deixou de ser novidade, tendo-se tornado apenas mais uma coisa que lá está.

E é aqui que a discussão da Apple começa a fazer sentido. Pelo menos à primeira vista. Remover algo que já existe soa sempre a corte. A regressão. Aparentemente, foi essa a sensação do público quando o iPhone 16e foi lançado sem MagSafe. E não correu bem. Tanto que a Apple voltou atrás no iPhone 17e.

No meu caso, por exemplo, não a tenho como uma funcionalidade essencial. Com efeito, acabou por nunca ser. E suspeito que para muita gente também não. Mas tenho perfeita noção de que há quem pense exactamente o contrário. E é por isso que a decisão não é trivial: não é sobre mim, nem sobre ti. É sobre milhões de utilizações diferentes.

Há ainda um detalhe conceptual que expõe como, por vezes, a Apple segue caminhos contraditórios.

O verdadeiro “MagSafe”, o original, era o dos MacBooks. Aquele cabo que se soltava quando alguém tropeçava e salvava o computador de ir parar ao chão. A Apple abandonou isso durante anos ao apostar exclusivamente em USB-C, uma decisão, no mínimo, discutível, que felizmente acabou por ser corrigida.

Fotografia por Mac Care em Unsplash

Ou seja, este tema já não é novo!

E, já agora, permitam-me introduzir agora uma variável nova que pode complicar ainda mais o cenário: a União Europeia está a avançar no sentido criar legislação que obrigue a que as baterias sejam mais facilmente substituíveis pelo utilizador final, com o objectivo de combater a obsolescência programada, reduzir o lixo electrónico e promover uma economia circular.

Pode parecer um tema completamente à parte, mas não. Porque mexe directamente com o design interno dos equipamentos: espaço, modularidade, fixação de componentes. Tudo isso pode obrigar a compromissos numa altura em que se aproximam os lançamentos de um iPhone Ultra e de um iPhone XX, onde o factor WOW terá mesmo de ser brutal.

E num telefone, onde cada milímetro conta, um sistema de ímanes como o MagSafe pode deixar de ser prioritário face a outras exigências estruturais. Não significa que vá desaparecer por causa disso, mas não há a mínima dúvida de que tem de entrar na equação.

Finalmente, o ecossistema. Carteiras, baterias externas, suportes… tudo isso existe. Mas, sendo honesto, nunca me pareceu particularmente prático. Principalmente hoje em dia, os cartões "estão" no telemóvel. A carteira anda mais na mochila do que no bolso. A minha identificação — que tem de ser obrigatoriamente aceite pelas autoridades — está no ID.GOV. Até no metropolitano e no autocarro já passo com o telefone.

O próprio Apple Pay é uma demonstração evidente de que não preciso de comprar um acessório Apple para colocar cartões nas costas do meu iPhone.

E depois, um bom powerbank, rápido, com um cabo USB-C, continua a ser mais barato e muito mais eficaz do que uma solução magnética. Já não chega a nova “bossa” do iPhone 17 (e obviamente do seu sucessor 18), quanto mais a "mega-bossa da bateria magnética".

Fotografia por appshunter.io em Unsplash

No fundo, o MagSafe no iPhone foi uma adaptação de um conceito que já tinha provado o seu enorme valor noutro contexto. Teve o seu momento, criou um ecossistema e cumpriu um papel importante. Mas, em rigor, nada tem que ver com a sua acepção conceptual inicial nos MacBook.

Agora, a Apple está perante uma decisão clássica: manter, ajustar ou deixar cair. E, como sempre, não será uma decisão técnica. E esta será pautada pelo equilíbrio entre custo, design, legislação, percepção de valor para a empresa e, acima de tudo, percepção de valor para os clientes.