Quem me conhece, sabe que eu sou da equipa Displayzão. O MacBook Pro tem 15” (mas seria de 17” se pudesse), o iPhone é o Pro Max, o iPad é o de 12,9, o Apple Watch é o de 44mm… Isso, claro, sem contar o facto de que em outros tempos, quando trabalhava numa agência de publicidade, o iMac era de 27 polegadas ao lado de um monitor secundário.

Todos os anos, quando surge o rumor de que um dos iPhones da nova linha será ligeiramente maior do que o da linha atual, sinto uma pequena satisfação. Mesmo que eu decida não comprar o aparelho (como é o caso deste ano), fico satisfeito em saber que o mercado segue a caminhar para saciar a minha vontade de ter nas  mãos o maior tamanho possível de ecrã.

No entanto, pensando nos iPhones recém-anunciados pela Apple, fico empolgado com a existência do iPhone 12 mini. É bem verdade que, apesar de ter mini no nome, o aparelho é maior do que as primeiras gerações de iPhone. Porém, o que me alegra sobre este aparelho é ver que mesmo com mini no nome, mesmo sendo concebido para apelar ao público-alvo do iPhone SE, o iPhone 12 mini não foi lançado como um cidadão de segunda categoria.

iPhone 12 mini à direita. Imagem Apple.

Assim como o restante da linha, ele tem um processador mais rápido do que o de muitos computadores. Assim como o restante da linha, ele possui câmaras mais poderosas do que a dos iPhones do ano passado. E assim como o restante da linha, ele tem 5G. Na verdade, a própria Apple fez questão de chamar atenção para o facto dele ser (por enquanto) o menor smartphone com 5G do mercado.

Fico a pensar naquele comercial em que, para se defender da pressão de utilizadores de iPhone que a esta altura já estavam a invejar o tamanho cada vez maior dos ecrãs dos telefones da concorrência, a Apple tentou argumentar que o bom-senso havia ditado o tamanho do display do iPhone 5 pelo seu conforto de usabilidade com apenas uma mão. Ainda levaria dois anos para a Apple se dar por vencida e aumentar para 4,7 polegadas no iPhone 6, ecrã este menor do que a de 5,4 polegadas do modelo “mini” de 2020.

Mas o que faz do iPhone 12 mini o modelo mais empolgante da linha de 2020? As possibilidades que ele abre. Ao passar a contar com um modelo menor na sua linha principal, a Apple será obrigada a redobrar os esforços de miniaturização das suas tecnologias. As primeiras desmontagens dos iPhones 12 já mostram que em comparação com a linha iPhone 11, algumas peças estão menores. Isso abre um mundo de possibilidades para um avanço ainda mais acelerado do Apple Watch e, talvez, dos tão aguardados Apple Glasses.

Além disso, é muito provável que a a partir de agora todo o resto do mercado também passe a considerar fazer telefones topo-de-linha em dimensões reduzidas. Quem não faz parte da equipa Displayzão finalmente poderá empolgar-se tanto quanto o resto de nós a cada evento, a cada lançamento, e a cada rumor das tecnologias que estão por vir.

Se eu fosse um ferrenho utilizador do iPhone SE, é bem verdade que neste momento eu estaria a sentir uma certa frustração por ter comprado o modelo lançado há apenas 6 meses. Por outro lado, eu certamente já estaria a contar as minhas moedinhas para talvez comprar o iPhone 12 mini, ou então certamente comprar o modelo do ano que vem sem medo de estar a levar para casa algo com especificações antigas, ou de ter que esperar mais quatro ou cinco anos para ter acesso às tecnologias de 2020.