Tim Cook: Uma década no comando da Apple

Tim Cook: Uma década no comando da Apple

Já passaram 10 anos desde a morte de Steve Jobs. Tim Cook entrou em cena. O que mudou na Apple?

Gonçalo Antunes de Oliveira
∙ 3 minutos de leitura

Há pessoas icónicas no mundo. Pessoas que se tornaram símbolos. Referências cujo legado perdura na história muito tempo depois do seu desaparecimento. Evidentemente que uma dessas pessoas é Steve Jobs, cujo falecimento prematuro em 5 de Outubro de 2011 deixou este mundo empobrecido e a imaginar como seria a realidade nas décadas seguintes se Jobs continuasse connosco. Tinha apenas 56 anos.

Como preencher o vazio? Como continuar o legado? Como assegurar a continuidade das constantes explosões de inovação que apenas Jobs sabia fazer?

Sentar-se na cadeira do gabinete ermo de CEO da Apple, constituía uma astronómica responsabilidade. Mas o trabalho tinha que continuar. Não se pára uma empresa que vale milhões e milhões porque o seu mentor desapareceu da vida terrena. E ele jamais consentiria tal entropia.

Eis então que entra em cena Tim Donald Cook, um Engenheiro de Produção Industrial, que havia sido contratado por Steve Jobs em 1998, tendo-o substituido enquanto CEO algumas vezes, por conta de questões de saúde que o impediram de estar à frente do barco. Aos 51 anos, o seu papel de Comandante tornou-se definitivo, e hoje celebra-se uma década do seu comando na Apple.

Muitos pensaram que sem o génio criativo de Jobs, a Apple iria estagnar. Mas engaram-se. Não apenas continuou, como atualmente vale mais de dois triliões de dólares. Tim Cook conseguiu esta proeza com estratégia. Ao ter aproximado a equipa de Operações com a equipa de Design Industrial desde os primeiros passos da conceção de novos produtos, o tempo investido nos processos de desenvolvimento foi encurtado, o que permitiu a sua colocação mais rápida no mercado.

Por outro lado, a redução dos custos de produção assumiu um papel fundamental. Exemplo disso foi o memorável iPhone 6, cujo design mais arredondado e a sua menor espessura dispensaram o corte de precisão do vidro e o polimento a diamante das margens, tal como acontecia com o seu predecessor.

E enquanto Jobs considerava que a Apple deveria vender poucos, mas excelentes produtos, solto desta micro-gestão, Cook viabilizou os desejos de quem adora a Apple: muitos e excelentes produtos, colocados no mercado a um ritmo que satisfizesse as necessidades constantes da sociedade de consumo em que vivemos.

No espaço de uma década, foram alguns os percalços no caminho. Como em tudo na vida, há apostas bem sucedidas, outras nem tanto. O facto é que se podemos considerar a palavra “Ecossistema”, a Tim Cook o devemos. Basta olhar para a recentíssima remodelação na Apple Store.

Produtos disponíveis na Apple Store
Produtos disponíveis na Apple Store

Se em tempos tínhamos um ou dois modelos de iPhone, de iPad e de Macs, hoje em dia, é só escolher o modelo que mais se adequa às nossas necessidades, por entre a vasta panóplia disponível. A partir daí, complementa-lo com outros produtos, acessórios e serviços que tornam a nossa vida mais agradável, funcional e, ao estilo da Apple, fascinante do ponto de vista da experiência do consumidor.

A Cook devemos a diversidade, a Jobs o conceito, que Cook inteligentemente seguiu e adaptou: a Apple é muito mais do que uma empresa de consumíveis. É um símbolo, tal como Jobs. Símbolo de inovação, de avanço, de coisas que funcionam, e que funcionam muito bem. Tal como Jobs sempre quis. A sua sede gigantesca, o futurismo minimal vivido no Presente. A ideia de estar muitos passos à frente da concorrência, quer por via da criação, quer pelo melhoramento impressionante do que já existe.

Apple Park | Fonte: Flightsim.to
Apple Park | Fonte: Flightsim.to

Tim Cook percebeu que estava na hora de mais um abanão na indústria. Voltou à base. Computadores com processadores feitos “em casa”, coloridos e potentes. Telefones e tablets inspirados no iPhone 5. Por vezes para inovar não é preciso inventar naves espaciais que nos levem a Plutão em 10 minutos. Por vezes para inovar voltam-se a dar as cartas com uma nova roupagem. É preciso ter a visão e a coragem para tal.

Venham mais Macs, iPhones e iPads. Apple Watch, AirPods, AirTags, Apple TV e HomePods. Venha uma Apple Arcade que se bata fortemente no Gaming. Venha uma Apple TV+ que constitua uma clara concorrência no mercado de Streaming, produzindo séries e filmes de grande qualidade. No mercado financeiro, esperemos que em Portugal o Apple Card seja uma realidade, tal como o Apple Pay já o é. Os milhões que Tim Cook continua a investir em tantos caminhos não são esbanjados. São estratégicos. E os resultados estão cada vez mais à vista.

E portanto, 10 anos depois, com o seu cunho pessoal, a sua estratégia – que poderia ser alvo de críticas de Steve Jobs – Tim Cook não traiu o conceito. Adaptou-o ao mundo em que vivemos. E que o continue a fazer durante muito tempo. Que os percalços no caminho sejam cada vez menos e que a Apple nos continue a dar cada vez mais e melhor.

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