100% das inovações do MacOS Monterey? Não em Macs com Intel.

100% das inovações do MacOS Monterey? Não em Macs com Intel.

A Apple apresentou na WWDC21 várias novidades para os Macs com o macOS Monterey. Nem tudo são boas notícias para os utilizadores com Intel.

Gonçalo Antunes de Oliveira
∙ 3 minutos de leitura

Aproxima-se aquele momento em que clicamos num botão da App Store para atualizar gratuitamente o macOS. Aquela sensação satisfatória de explorar as novas funcionalidades, integrações com os outros dispositivos Apple, tudo isto  acompanhado por uma estética modernizada, capaz de nos fazer sentir que acabámos de comprar uma máquina nova.

E lemos, procuramos e exploramos tudo o que por aí vem. Mas convém ler mesmo muito bem. Principalmente as letrinhas pequenas nas notas de rodapé. Não há almoços grátis e o mundo funciona cada vez mais assim.

Na página oficial da Apple existe uma secção que apresenta todas as novas características do MacOS Monterey, que podes consultar aqui. Depois é só descer mesmo até ao fim da página e reparar nos pontos 2, 8 e 9: "disponível apenas em computadores Mac com o chip M1".

Passaremos a identificar (e a citar a partir desta página da Apple) as funcionalidades que estarão disponíveis apenas para os detentores de um Mac com SoC M1:

FaceTime: Modo Portrait

Inspirado no Modo Portrait já existente na app Câmara dos iPhones e iPad, o modo Portrait no FaceTime desfoca o seu plano de fundo, e coloca o foco em si.

Live Text

O texto é agora interativo em todas as suas fotografias, para que possa utilizar funções como copiar e colar, pesquisar e traduzir. O Live Text funciona nas Fotografias, na captura de ecrã, no QuickLook e no Safari.

Mapas: globo interativo

Descubra a beleza natural da Terra com um globo 3D interativo, incluindo detalhes significativamente aprimorados para cadeias montanhosas, desertos, florestas, oceanos e muito mais.

Mapas: experiência detalhada das cidades

Explore cidades como São Francisco, Los Angeles, Nova York e Londres com detalhes sem precedentes no que respeita a elevação, estradas, árvores, edifícios, pontos de referência e muito mais.

Siri: Text-to-speech neural em mais línguas

A mais recente conversão neural de texto em voz está agora disponível e mais línguas: Sueco, Dinamarquês, Norueguês e Finlandês.

Ditados para o teclado: ditado on-device

O ditado para o teclado melhora à medida que utiliza o seu dispositivo, personalizando ao longo do tempo. O ditado on-device ajuda-o a proteger a sua privacidade realizando todo o processamento em modo completamente offline.

Ditados para o teclado: ditado contínuo

Com o ditado on-device poderá ditar um texto de qualquer tamanho sem tempo limite (antes, estava limitado a 60 segundos).

Pressionados para comprar os novos M1?

Nas suas aplicações Maps e Lens, a Google disponibiliza globos terrestres intrativos e reconhecimento de texto em imagens há muito tempo. Desfocar o fundo numa videoconferência é apenas banal no Zoom, Teams e Skype.

Portanto... mesmo sem conhecimento técnico aprofundado do SoC M1, um utilizador comum compreende as claras vantagens desta novidade em termos de velocidade, inteligência artificial, aplicabilidades para o futuro e o impacto concretizado na redução do espaço ocupado pelas motherboards. Seria assim tão difícil fazer o que já é feito há tanto tempo pela concorrência em máquinas mais velhas e até consideradas obsoletas?

Não há dúvida que a tecnologia é isto mesmo. Não há dúvida que os processadores neurais e o modo como a Apple está revolucionar o mercado constitui um fator positivo que no final só beneficia o consumidor, estimulando a concorrência. Em momentos-chave, uma app como a Saúde, ou um AirTag (ou similares da concorrência) podem até salvar-nos a vida.

Mas a que custo? É certo que o ponto 1 das acima referidas notas de rodapé indica que certas características estão disponíveis apenas para modelos Mac de 2018 para a frente. É habital, e quanto a isto não há novidade. Avança ou estagnas.

Talvez faça alguma confusão por agora se estar a falar de um novo processador. De uma descontinuidade em relação ao que estavamos habituados. E a mudança custa. Se a Intel agregou, permitindo instalar o Windows para quem também o queria ter, o M1 voltou a separar.

A longo prazo estas ruturas serão naturalmente atenuadas. Mais tarde ou mais cedo trocamos de computador e entramos no novo paradigma.

Mas, para quem comprou um desktop novinho em folha há um ou dois anos, vê-se impedido de usufruir a 100% das inovações desenvolvidas pela Apple. São assim as fases de transição.

Em boa verdade, ninguém morre se não puder usar o FaceTime desfocado, explorar detalhes de cidades ou girar um globo terrestre virtual. Até porque o pode fazer com a concorrência.

A parte do reconhecimento do texto nas imagens é que fica atravessada na garganta. Daria imenso jeito para trabalhar. Mas o iPhone encarregar-se-á de tratar desse assunto.

Enfim, e os ditados também seriam úteis (se morarmos num país nórdico ainda pior), mas até que ponto é que os utilizamos numa base regular?

No cômputo geral, a página com as características do MacOS Monterey tem muitíssimo mais dar do que aquilo que não pode ser usufruído pelos detentores de processadores Intel. Não fará uma diferença enorme, nem prejudicará a vida do dia a dia.

Mas que é preciso ler as letras pequeninas das notas de rodapé, lá isso é.

E tu? Sentes-te prejudicado com estas ausências no caso de teres um Mac Intel? Deixa a tua opinião na nossa secção de comentários.

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