Nova Siri poderá chegar em beta no iOS 27 - um cenário que diz muito sobre a Apple atual...

Nova Siri poderá chegar em beta no iOS 27 - um cenário que diz muito sobre a Apple atual...

Quando a Apple apresentou a nova Siri na WWDC 2024, a promessa era clara: uma assistente verdadeiramente inteligente, contextual e integrada com o ecossistema. Uma Siri capaz de funcionar tal como era há muito esperado.

Tratou-se da resposta da Apple ao novo mundo da Inteligência Artificial generativa. Só que esse futuro prometido acabou não chegar.

Primeiro falhou no iOS 18. Depois, passou ao lado do iOS 26. E agora, segundo Mark Gurman, da Bloomberg, a tão aguardada reinvenção da Siri poderá finalmente surgir no iOS 27… mas… em versão beta. Leste bem: beta.

Ao que tudo indica, as builds internas de teste incluem até um interruptor que permite desligar a nova versão da assistente de modo a regressar de imediato à atual. Mas o que chega à versão final é que conta. E, ao que consta, esse interruptor irá estar disponível para o público desde logo.

À primeira vista, isto parece um embaraço. E, sejamos honestos, em parte é. A Apple prometeu publicamente algo que claramente não estava pronta para entregar. 

Para uma empresa historicamente obcecada com controlo, maturidade de produto e experiências polidas até ao último detalhe, isso representa quase uma heresia.

Mas não quero crer que esta seja uma leitura única. Talvez a Apple não esteja apenas atrasada. Talvez esteja a adaptar-se. 

Porque, entretanto, o mundo mudou.

Quando a Apple apresentou a Apple Intelligence em 2024, o panorama da IA era substancialmente diferente. O ChatGPT já existia, claro, mas a velocidade de evolução dos modelos fundacionais ainda não tinha atingido o ritmo vertiginoso que hoje conhecemos. O Gemini procurava afirmar-se, o Claude ainda era quase um segredo bem guardado entre utilizadores mais atentos e o que era na altura o Perplexity (?)…

Dois anos volvidos, a realidade é outra.

aerial view of city during daytime

Os modelos evoluíram brutalmente. Tornaram-se mais rápidos, mais contextuais, mais úteis, mais humanos na interação. E a corrida passou a acontecer a uma velocidade quase impossível de acompanhar — mesmo para uma gigante como a Apple.

Ora, construir um modelo fundacional competitivo não é como desenhar um novo iPhone. Exige infraestruturas colossais, investimento contínuo e uma cultura de experimentação rápida que historicamente nunca foi o ADN da Apple.

E talvez tenha sido precisamente aí que a empresa de Cupertino percebeu uma verdade estratégica importante: esta pode não ser a guerra certa para tentar ganhar.

Porque há rumores credíveis de que o iOS 27 poderá permitir aos utilizadores escolher que Inteligência Artificial pretendem usar dentro do próprio ecossistema Apple Intelligence — seja ChatGPT, Gemini, Claude ou outros modelos compatíveis.

Se isto se confirmar, será uma mudança conceptual enorme.

Porque significará que a Apple poderá deixar de insistir em ser exclusivamente a criadora do “cérebro”, para se concentrar naquilo que sempre fez melhor: construir a melhor interface entre tecnologia e ser humano. E essa distinção é tudo.

OpenAI, Google, Anthropic, entre outros querem ganhar a guerra dos modelos.

Mas a Apple talvez esteja finalmente a aceitar que a sua verdadeira vantagem competitiva nunca esteve aí.

Porque, de facto, a Apple nunca precisou de inventar primeiro para dominar:

  • Não inventou o smartphone.
  • Não inventou o tablet.
  • Não inventou o smartwatch.
  • Não inventou sequer os earbuds modernos.

O que fez foi pegar em categorias já existentes e refinou-as: transformou-as profundamente ao ponto de se tornarem em experiências de utilização imperdíveis, atraentes e desejáveis. Quem não quer ter pelo menos um dispositivo Apple?

Com a IA, poderá estar a fazer exactamente o mesmo. Não porque planeou estrategicamente esta postura desde o início. Houve atrasos. Houve sobrepromessas. Houve sinais evidentes de dificuldades internas.

Mas também houve uma mudança de mercado suficientemente rápida para obrigar qualquer empresa séria a recalibrar-se.

E talvez seja isso mesmo a que estamos a assistir.

A Apple pode nunca ter a melhor Inteligência Artificial do mundo. Mas se conseguir fazer do iPhone, do iPad ou do Mac os melhores dispositivos para usar qualquer Inteligência Artificial, talvez isso chegue.

E conhecendo a Apple… talvez chegue mesmo.