Será uma VPN suficiente para nos proteger dos vírus da Internet?

Consideras-te seguro a navegar na Internet apenas com uma VPN instalada? Há toda uma outra dimensão que deves considerar.
7 mins de leitura
Será uma VPN suficiente para nos proteger dos vírus da Internet?
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Não há muito tempo escrevi um artigo que se debruçava sobre a ideia de pagar ou não pagar por um antivírus para Mac. Noutra publicação, abordei também a questão dos antivírus falsos.

Parece, mas não estou obcecado com a ideia de contrair um vírus da Internet. O facto é que, mesmo detentor de vários dispositivos Apple, a possibilidade ficar infetado é cada vez maior.

Comparativamente com a concorrência, é evidente que é pouco provável. A Apple orgulha-se manter um circuito fechado entre software proprietário ou licenciado e o seu hardware. Por isso é que funciona tão bem.

Mas esta realidade está mudar. Ok: podemos dizer que nos últimos anos a Apple não está tão fervilhante de ideias como noutros tempos. Mas não é por termos uma gama de produtos mais, digamos, confusa, que são menos confiáveis. Antes pelo contrário.

Leis orientadas para a abertura das portas

Permitam-me que vos dê um exemplo muito ilustrativo: no passado dia 31 de outubro, a União Europeia publicou um documento que contém perguntas e respostas sobre o Regulamento dos Mercados Digitais, que podes consultar aqui.

Na prática, quase de certeza que a União Europeia irá considerar a Apple um gatekeeper, ou seja, um controlador de acesso, e por isso, passo a citar:

Nos termos do Regulamento Mercados Digitais, as empresas identificadas como controladores de acesso estarão sujeitas a uma série de obrigações e proibições.  Por conseguinte, terão de adotar proativamente certos comportamentos que tornam os mercados mais abertos e disputáveis e, ao mesmo tempo, abster-se de comportamentos desleais, definidos na legislação à luz da experiência do mercado até à data, inclusive em processos de concorrência.

Esta aceção significa que a Apple poderá vir a ser forçada a escancarar as suas portas a terceiros, no que respeita à instalação de apps, à execução de pagamentos, entre outras dinâmicas de interoperabilidade, sob a égide de uma democratização de serviços essenciais.

Fonte: The Knowledge Exchange Blog

Ora, pois, a livre concorrência leva à redução generalizada dos preços porque trava os monopólios. No entanto, esta abertura leva a que a exposição de ambientes quase impolutos, como é o caso da Apple, possam vir a ser legalmente conspurcados por empresas e developers que, não apenas tornarão o ecossistema da maçã menos seguro, como irão obrigar os seus utilizadores a gastar o mesmo, ou talvez até mais dinheiro, em medidas preventivas.

Mas tenho uma VPN...

Mas este foi só um exempo do contexto. Contexto este que é muito mais abragente no âmbito do que estamos a falar: é que, como se isto não bastasse, é impossível ignorar que a nossa exposição diária à Internet é tanta nos tempos que correm, que, mais tarde ou mais cedo, leve ou gravemente, a probabilidade de contrairmos um vírus ou de nos roubarem dados aumenta a olhos vistos.

Respeito muito os hackers por todo o seu engenho e competências. Porém, os que abraçaram o “lado negro da força” (perdoem-me a referência ao Star Wars, que tanto estimo), podem causar estragos de grande monta nas nossas vidas.

Fonte: Cult of Mac

E muitos de nós, que utilizam uma VPN, estão convencidos que esta medida talvez seja suficiente para travar essas invasões. Com efeito, uma VPN protege com uma enorme eficácia os nossos dados, porque os encripta, impedindo desse modo que um malware desempenhe o seu objetivo.

O mesmo é dizer que, como uma VPN controla e restringe as portas, irá, obviamente, dificultar a transmissão dos nossos dados a quem os tenta “caçar”, por exemplo, através de anúncios que, a todo momento nos saltam para cima dos olhos naqueles irritantes pop-ups.

Só que o problema reside na multiplicidade de estratégias empreendidas para profanar a nossa privacidade.

E será suficiente?

Talvez a questão não se deva colocar deste modo. Não se trata de ser, ou não, suficiente. O cerne desta reflexão centra-se na adoção de medidas preventivas suficientemente abrangentes para aumentar o nosso nível de proteção perante tamanha diversidade de estratégias.

Deste modo, atentemos às principais diferenças entre uma VPN e um antivírus:

VPN Antivírus
O que faz Uma VPN esconde o teu endereço IP (Internet Protocol), tráfego online, e localização geográfica. Um antivírus previne, analisa, deteta e remove um vírus do teu computador.
Como o faz Uma VPN cria um túnel seguro entre ti e um dos seus servidores quando acedes à Internet. Um antivírus analisa o teu computador e ficheiros de sistema em busca de software ou código malicioso, e remove-os
Benefícios Torna a navegação na Internet mais segura e privada

Mantém-te seguro quando estás ligado a hotspots Wi-Fi públicos
Funciona em segundo plano para proteção em tempo real

Assegura que os teus dispositivos estão livres de vírus e seguros para utilização

Como poderás constatar, medidas diferentes para invasões diferentes aos teus dados pessoais.

Como saber se o teu dispositivo está infetado com um vírus?

Para um hacker, a criatividade não tem limites. Considera, portanto, os próximos pontos que te irei apresentar enquanto uma lista dos eventos suspeitos mais evidentes que poderão indiciar a presença de um vírus no teu dispositivo.

Fonte: Apple
  1. Problemas de desempenho: Os vírus utilizam muita da memória do seu dispositivo, afetando a performance das tuas apps;
  2. Mensagens de falha/erro: essa lentidão no desempenho leva, em geral, a falhas das apps, desencadeando, em muitos casos, este tipo de mensagens de modo persistente;
  3. Aumento da conta telefónica: os vírus podem utilizar os dados do teu  telemóvel para enviar informação. Está atento aos teus consumos e às respetivas variações mensais;
  4. Anúncios pop-up aleatórios: a adware é uma espécie de vírus que espia o dispositivo e dispara anúncios enquanto estás online. Uma coisa é teres anúncios. Outra, é aquela dinâmica extemporânea: se não são esperados em situações convencionais, desconfia;
  5. Apps que não reconheces: de repente, por entre tantas páginas com apps, tens lá uma ou duas que não reconheces? Exato: é que os vírus conseguem aceder às tuas credenciais de administrador e, sem que dês por isso, já tens lá mais uns quantos icons predatórios. Discretos, mas perigosos;
  6. Ficheiros em falta: os vírus podem danificar o seu dispositivo e destruir ou esconder ficheiros no seu computador. Neste último caso, para práticas de ransomware, ou seja, ao esconder e/ou encriptar os teus ficheiros, poderão chantagear-te para tos devolver.

Como tentar evitar que um vírus infete os nossos dispositivos?

É impossível viver numa bolsa hermética. Estar conectado é estar exposto. Portanto, para além de tentar identificar os sintomas, há que tomar medidas preventivas.

Fonte: SurfShark

Eis algumas que poderás contemplar:

  1. Adquire um antivírus e faz scans regulares: é como aquele ditado - candeia que vai à frente alumia duas vezes. Antecipa-te aos vírus por via de scans diários;
  2. Cuidado com o phishing: por vezes recebes e-mails com links ou anexos altamente suspeitos. Apaga-os e não cliques em nada. Aprende a identifica-los, caso contrário, poderás vir a descarregar vírus e malware para os teus dispositivos;
  3. Evita websites estranhos: um website com um aspeto profissional cria-se em poucos minutos. Tem muito cuidado a surfar na web. Do mesmo modo que o phishing, clicar naquele apelativo link de um website em que tenhas entrado pode significar vírus e malware;
  4. Mantém o teu sistema operativo e respetivas aplicações actualizadas: uma atualização não significa apenas a correção de erros ou o incemento de funcionalidades. Se leres o que está escrito no descritivo das atualizações da Apple, repararás que muitas delas dedicam-se exclusivamente a melhorias de segurança;
  5. Evita instalar software pirata: mesmo na Apple, há muito por onde escolher. Ficheiros pirateados podem conter vírus e malware. É mesmo muito provável.

Prevenção, aprendizagem e ação

Alertei-te neste artigo para uma questão que é real e concreta. Ainda recentemente foi anunciada uma burla no WhatsApp, em que qualquer pai recebe uma mensagem do filho a pedir uma transferência de dinheiro a partir de um número desconhecido.

O argumento, é que partiu o telemóvel e deixou-o a arranjar. Como está com outro número e não tem dinheiro para adiantar o pagamento do serviço, apela ao pai para que faça a tranferência.

Onde é que a coisa se torna suspeita? Desde logo, na fluência da língua portuguesa, ou, mais especificamente nos termos utilizados. Eu trato o meu Pai por tu. Se escrevesse ao meu Pai, utilizando o pronome oblíquo "si" em vez de "ti", algo estaria mesmo muito errado.

Fonte: FlexJobs

Mas os burlões estão cada vez mais eficientes. Ainda no outro dia, entrei num website da revista Forbes absolutamente perfeito. Inglês fluído, tudo no sítio. Cliquei na notícia que quis e fui reencaminhado para um website que me queria vender criptomoeda muito suspeita (o artigo era sobre esse assunto). Cliquei noutro artigo e entrei no mesmo e exato website.

Tudo isto para dizer que é fundamental termos muita atenção ao que fazemos e para onde navegamos. Tal como já se tornou fundamental adquirir um antivírus. Mas, melhor ainda, um pacote completo a preços acessíveis.

O Surfshark One fornece-te um pacote de segurança tudo-em-um que te manterá seguro em ambas as frentes. Combinando uma VPN com um antivírus, oferece-te ainda o Surfshark Search (que te permite fazer buscas sem deixar rasto) e o Surfshark Alert (que te envia notificações se os teus dados forem expostos).

Este tipo de produto torna-se a opção mais viável para, como te disse acima, cobrir o maior número de estratégias de invasão dos teus dados. É disso que se trata: a profanação da tua privacidade responde por muitos nomes. Seja vírus, malware, phishing, ransomware, etc., o que está em causa é a tua segurança. Não a coloques em risco e atua.

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